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Violência contra Mulheres Negras e Indígenas: Comissão Debate Urgência de Políticas Específicas e Interseccionalidade

março 25, 2026

Comissão Mista Debaterá Violência Contra Mulheres Negras e Indígenas Com Foco em Interseccionalidade

A Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher realizará uma audiência pública nesta quarta-feira, 25, para aprofundar a discussão sobre a violência que atinge mulheres negras e indígenas. O encontro visa analisar a complexa interseccionalidade da opressão que essas mulheres enfrentam, ressaltando a urgência de políticas públicas especificamente voltadas para suas realidades.

O debate, agendado para as 14 horas no plenário 6 da ala Senador Nilo Coelho, no Senado Federal, atende a um pedido da deputada Luizianne Lins (PT-CE), presidente da comissão. A parlamentar destaca que os dados sobre violência de gênero revelam uma vulnerabilidade acentuada em mulheres negras e indígenas.

Essa maior exposição à violência, segundo Lins, decorre da sobreposição do machismo com o racismo estrutural. O objetivo central da audiência é identificar as lacunas existentes nas políticas públicas atuais e propor ações concretas que reconheçam e combatam a violência sob a ótica da interseccionalidade, garantindo proteção efetiva.

Dados Alertam para Seletividade da Violência e Necessidade de Ações Específicas

A deputada Luizianne Lins enfatiza que o Atlas da Violência 2024 apresenta dados alarmantes. Ele aponta que a taxa de homicídios de mulheres negras é significativamente superior à de mulheres não negras. Isso evidencia uma cruel seletividade na violência sofrida e a necessidade premente de respostas específicas por parte do poder público.

“A análise dos dados de violência letal no Brasil revela uma face cruel da seletividade da proteção estatal”, afirma a deputada. Ela completa, “enquanto as taxas de homicídio de mulheres não negras apresentam tendências de estabilidade ou queda, os índices entre mulheres negras e indígenas seguem em trajetória ascendente.”

Interseccionalidade como Chave para Políticas Eficazes

A discussão sobre interseccionalidade é fundamental para compreender como diferentes formas de discriminação se cruzam e intensificam a vulnerabilidade. Para mulheres negras e indígenas, a experiência da violência é moldada não apenas pelo gênero, mas também pela raça e etnia, exigindo abordagens que considerem essa complexidade.

A audiência pública busca ser um espaço para ouvir as vozes dessas mulheres, coletar depoimentos e entender suas necessidades específicas. A partir desse diálogo, espera-se construir propostas de políticas públicas mais eficazes e justas, que realmente atendam às demandas de proteção e segurança para todas.

O Caminho para o Combate à Violência Interseccional

O debate na Comissão Mista é um passo importante para dar visibilidade à violência contra mulheres negras e indígenas. A busca por soluções passa pelo reconhecimento da interseccionalidade como um fator determinante na experiência da violência e pela implementação de políticas que considerem essa realidade.

A expectativa é que a audiência resulte em encaminhamentos concretos para o aprimoramento da legislação e das ações governamentais. O objetivo final é garantir que a proteção estatal seja equitativa e alcance as mulheres mais vulneráveis, combatendo ativamente o racismo e o machismo estrutural. A Agência Câmara Notícias informou sobre a realização deste importante debate.