
Brasil ignora prevenção de desastres climáticos e arrisca-se diante de novo El Niño
O alerta para um possível super El Niño em 2026 acende um sinal vermelho para o Brasil. A falta de investimentos em prevenção de desastres climáticos é o principal gargalo, segundo o deputado Gilson Daniel (Pode-ES), relator da Comissão Especial sobre Catástrofes Climáticas. Ele destaca que os recursos destinados para mitigar os impactos de eventos extremos são “quase zero”, deixando cidades e populações vulneráveis.
A preparação para fenômenos como o El Niño, que já causou secas severas e enchentes devastadoras em 2024, é crucial. O deputado enfatiza que a prevenção é mais econômica que a recuperação pós-desastre, mas o foco orçamentário tem sido em ações emergenciais.
“Nós temos um orçamento aprovado na Câmara e que é encaminhado pelo Executivo, que praticamente não vem com recursos para a prevenção. E os municípios não têm recursos para esse tipo de investimento. Precisam dos governos estaduais e federal”, explicou Gilson Daniel em entrevista à Rádio Câmara. Conforme informação divulgada pela Rádio Câmara, o parlamentar cobra mais investimentos para prevenir desastres climáticos.
Investimentos “insignificantes” e o risco de novas tragédias
Gilson Daniel classificou os investimentos atuais em prevenção de desastres no Brasil como “insignificantes”. Ele aponta que os recursos são liberados apenas “no momento de crise”, o que eleva consideravelmente o custo para a sociedade. “Levantamentos internacionais mostram que, a cada um dólar investido, você economizaria 15 dólares”, comparou o deputado.
A situação em cidades como o Rio Grande do Sul e Mimoso do Sul (ES) exemplifica o problema. Em ambos os locais, pessoas que perderam suas casas em enchentes voltaram a morar em áreas de risco, evidenciando a falta de políticas de reassentamento e prevenção.
PEC 44/23: uma esperança para a prevenção
Para combater essa carência de recursos, o deputado defende a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 44/23. A PEC propõe reservar 5% dos valores de emendas individuais de parlamentares e de emendas de bancada especificamente para a prevenção de desastres climáticos.
A proposta já foi aprovada na Câmara e aguarda votação no Senado. Gilson Daniel considera a PEC 44/23 “talvez a maior contribuição que o Parlamento possa dar” para a segurança da população diante de eventos climáticos extremos.
A necessidade de uma pauta permanente
Apesar dos esforços, o deputado reconhece que o país ainda está longe de estar totalmente preparado para um super El Niño, que pode trazer secas severas, queimadas e chuvas intensas. Ele ressalta a importância de manter a discussão sobre desastres climáticos como uma pauta constante.
Por isso, Gilson Daniel defende a criação de uma comissão permanente na Câmara dedicada a debater e propor soluções para os desastres climáticos. “Esta é uma pauta que precisa ser discutida o tempo todo”, concluiu.