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Sucateamento e Demissões: Metroviários Denunciam Crise nos Transportes Públicos em Meio a Privatizações e Cobram Ações Urgentes do Governo

junho 18, 2026

Metroviários alertam para colapso em sistemas sob privatização e criticam falta de investimento público

Trabalhadores do setor metroviário de diversas partes do Brasil se reuniram na Câmara dos Deputados para expor um cenário alarmante de sucateamento dos serviços e precarização do trabalho. As denúncias surgem em um contexto de privatizações e transferências de controle de companhias como a CBTU e Trensurb para a iniciativa privada, gerando preocupação com a qualidade e segurança do transporte público.

Durante audiência na Comissão de Administração e Serviço Público, metroviários apresentaram relatos chocantes sobre a deterioração das condições de operação. Eles criticaram o que chamam de descumprimento de promessas do governo Lula em relação à desestatização de empresas chave do setor, evidenciando um ciclo de problemas que afetam diretamente os usuários e os próprios trabalhadores.

As queixas vão desde a interrupção de serviços essenciais até a perda de postos de trabalho, com destaque para a demissão de concursados e a dificuldade de recolocação no mercado. A situação levanta um debate urgente sobre o futuro do transporte público no país e a responsabilidade do poder público em garantir um serviço de qualidade e acessível a todos. Conforme informações divulgadas pela Agência Câmara Notícias, a audiência trouxe à tona a gravidade da situação.

Metrô de Recife em Colapso: Descarrilamentos e Mortes Marcadas pelo Sucateamento

Luiz Soares, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Metroviárias de Pernambuco, detalhou a grave situação do Metrô de Recife, em processo de transferência para a iniciativa privada. Ele descreveu um cenário de colapso no sistema, com ocorrências frequentes de descarrilamentos, quedas da rede aérea e até mesmo mortes. “Nós tivemos dois descarrilamentos em menos de cinco dias, uma morte de um companheiro sendo eletrocutado pela falta de compromisso com o Metrô do Recife, com sucateamento generalizado”, relatou Soares, ilustrando a severidade dos problemas.

Demissões em Massa e Dificuldades de Recolocação em Minas Gerais

Em Minas Gerais, a privatização do Metrô de Belo Horizonte em 2022 resultou em um impacto negativo significativo para os servidores. Alda dos Santos, presidente do Sindmetrô mineiro, informou que mais de mil demissões ocorreram entre os empregados concursados da CBTU. Muitos desses profissionais enfrentam dificuldades para encontrar novas oportunidades, sendo forçados a atuar em aplicativos de transporte. Santos fez um apelo pela aprovação do projeto de lei (PL 1189/23) que visa garantir a relocação de concursados demitidos em processos de privatização.

Críticas ao Modelo de Concessões e Apelo por Investimento Público Massivo

Ronas Filho, diretor do Sindmetrô do Rio Grande do Sul, criticou a atual política de concessões, que, segundo ele, tem sido marcada por vultosos aportes de recursos públicos via BNDES. Ele defendeu a necessidade de investimentos públicos maciços em infraestrutura, contratação de mais pessoal por meio de concursos públicos, aquisição de novos trens e a expansão dos serviços. A proposta de tarifa zero no transporte público foi apresentada como uma alternativa viável e necessária para a mobilidade urbana.

Governo Federal Aponta Limitações e Estados São Responsáveis pela Gestão Metropolitana

Fernanda Barbosa, coordenadora de projetos especiais e parcerias do Ministério das Cidades, explicou as limitações constitucionais que afetam a atuação do governo federal na gestão do transporte metropolitano. Ela ressaltou que, de acordo com a Constituição Federal e a Política Nacional de Mobilidade, a responsabilidade pela gestão do transporte urbano metropolitano recai sobre os estados. O ministério, segundo Barbosa, concentra seus esforços em diretrizes de baixa tarifa e qualidade dos serviços.

Deputados Defendem Transporte Público Universal, Gratuito e Estatizado

A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), organizadora da audiência, defendeu a necessidade de uma mobilização nacional em prol do metrô público e com tarifa zero. Ela associou essa demanda à pressão da sociedade civil pela aprovação do fim da escala de trabalho 6×1, já votada na Câmara e em análise no Senado. Melchionna enfatizou que o transporte deve ser visto como um direito social, citando a Emenda 90 à Constituição, e não apenas como um serviço. A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) endossou a proposta (PEC 25/23) de transformar o transporte público em um sistema universal e gratuito. Deputados Carlos Zarattini (PT-SP) e Pompeo de Mattos (PDT-RS) também se manifestaram contra a privatização de serviços públicos de transporte, reforçando a defesa do modelo estatal.