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Redução da Maioridade Penal: Comissão da Câmara Inicia Debates Polêmicos com Foco em Constitucionalidade e Direitos Humanos

agosto 13, 2026

Comissão Especial na Câmara dos Deputados Inicia Análise de Propostas para Redução da Maioridade Penal sob Questionamentos de Constitucionalidade

A Câmara dos Deputados deu início aos trabalhos da Comissão Especial destinada a analisar propostas que visam a redução da maioridade penal no Brasil. Sob a presidência do deputado Aluísio Mendes (Republicanos-MA), o colegiado terá a tarefa de debater três Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que abordam a possibilidade de equiparar a maioridade civil e penal aos 16 anos, além de propor reduções excepcionais para crimes hediondos e de extrema crueldade.

A formação da comissão e o início dos debates já geraram reações, com questionamentos sobre a constitucionalidade das propostas e o respeito a tratados internacionais. A discussão promete ser intensa, envolvendo especialistas, entidades de direitos humanos e a sociedade civil, que buscam um equilíbrio entre a demanda social por justiça e a proteção dos direitos fundamentais.

O relator da comissão, Mendonça Filho (PL-PE), destacou a importância de construir uma proposta “tecnicamente estruturada nas boas práticas internacionais e moralmente à altura da dor das vítimas e seus familiares”. O objetivo é modernizar o sistema de justiça criminal brasileiro, oferecendo uma resposta “civilizada” à sociedade, conforme informação divulgada pela Agência Câmara.

Debates Aprofundados e Eixos Temáticos da Comissão

A Comissão Especial vai analisar a PEC 32/15, que propõe a maioridade civil e penal aos 16 anos, a PEC 8/26, que sugere a redução excepcional para crimes hediondos, e outra proposta que prevê a redução geral para 16 anos, com responsabilização criminal de adolescentes entre 12 e 16 anos em casos específicos de crimes graves.

O plano de trabalho do relator Mendonça Filho inclui a busca por um diagnóstico sobre a promoção de justiça às vítimas, o dimensionamento do impacto civil e a viabilidade institucional das medidas. Para isso, serão realizadas audiências públicas, seminários regionais e reuniões técnicas com especialistas. Os trabalhos se basearão em cinco eixos temáticos centrais: constitucionalidade, direitos humanos e tratados internacionais; segurança pública, crime organizado e dissuasão penal; infraestrutura e gestão dos sistemas prisional e socioeducativo; impactos jurídicos; e legitimidade de eventual referendo popular.

Questionamentos sobre Constitucionalidade e Direitos Humanos

Desde o início dos trabalhos, a redução da maioridade penal tem sido marcada por fortes oposições, especialmente de entidades ligadas aos direitos humanos. O deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ) levantou questões de ordem para tentar barrar a instalação da comissão, argumentando sobre inconstitucionalidades e o desrespeito a tratados internacionais. Ele citou a inimputabilidade penal até os 18 anos, assegurada pela Constituição Federal, como um direito individual fundamental.

“A instalação de uma comissão destinada a suprimir direitos fundamentais em meio a um período de funcionamento prioritariamente remoto dessa Casa configura grave cerceamento democrático”, afirmou Tarcísio Motta, conforme relatado pela Agência Câmara. O presidente da comissão, Aluísio Mendes, contestou, afirmando que os pontos levantados já foram superados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) quanto à admissibilidade do tema.

Cronograma e Expectativas para Votação

O relator Mendonça Filho apresentou um cronograma que prevê a votação da matéria na comissão especial e no Plenário da Câmara até dezembro. Ele reconheceu que o ritmo dos debates pode ser reduzido durante o período eleitoral, mas expressou confiança na aprovação da proposta após as eleições. A comissão é composta por 38 titulares e igual número de suplentes, com eleições para as três vice-presidências.

A discussão sobre a redução da maioridade penal é um tema complexo que divide opiniões na sociedade brasileira, envolvendo questões de segurança pública, direitos humanos e a eficácia do sistema de justiça criminal. A comissão agora terá a responsabilidade de aprofundar esses debates e buscar uma solução que atenda às demandas sociais e respeite os preceitos constitucionais.