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Proibição de Redes Sociais para Menores de 16 Anos: Comissão de Educação Debate Futuro Digital de Crianças e Adolescentes

julho 8, 2026

Comissão de Educação da Câmara dos Deputados discute projeto que visa restringir acesso de menores de 16 anos às redes sociais.

Um projeto de lei que propõe a proibição do acesso de menores de 16 anos às redes sociais gerou intenso debate na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. A proposta, apresentada pela deputada Greyce Elias (PL-MG), busca proteger crianças e adolescentes de conteúdos prejudiciais, cyberbullying e outros riscos online.

A medida visa aprimorar o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, enfatizando a necessidade de educação digital para jovens e pais. A discussão na comissão reuniu defensores da proibição, que argumentam sobre a vulnerabilidade dessa faixa etária, e representantes do setor de tecnologia, que alertam para possíveis efeitos indesejáveis.

O debate reflete a crescente preocupação com o impacto das redes sociais na saúde mental e no desenvolvimento de crianças e adolescentes. A Câmara agora analisa os diferentes pontos de vista para decidir os próximos passos do projeto de lei, buscando um equilíbrio entre proteção e acesso à informação.

Argumentos a favor da restrição: proteção e incapacidade absoluta

A deputada Greyce Elias defendeu o projeto de lei (PL 94/26) com base na necessidade de **proteção integral de crianças e adolescentes**. Ela destacou os perigos de conteúdos nocivos, cyberbullying, assédio, exploração sexual e discurso de ódio, além dos efeitos de algoritmos que incentivam o uso excessivo, associados a sintomas de ansiedade, depressão e isolamento social.

A procuradora-geral do Distrito Federal, Diana Ramos, corroborou essa visão, citando a **incapacidade absoluta** prevista no Código Civil para menores de 16 anos. Ela comparou a situação com a recente lei que restringiu o uso de celulares em escolas, observando melhora no aprendizado e na interação social dos alunos. Para Ramos, o projeto não proíbe a educação digital, mas sim o acesso a redes sociais durante um período de vulnerabilidade.

A coordenadora de educação digital do Ministério da Educação, Ana Fabbro, informou que **92% das escolas já aplicam restrições a celulares** e 97% reconhecem o impacto positivo do uso pedagógico de tecnologias digitais. A proposta também prevê multa de até R$ 500 milhões para plataformas que descumprirem as regras, um ponto elogiado pela advogada Flávia Lefèvre, que citou exemplos de restrições em países como Austrália, Portugal e Reino Unido.

Preocupações com efeitos colaterais e alternativas à proibição

Em contrapartida, o Conselho Digital, que representa grandes plataformas como Google e Meta, alertou para os **”efeitos colaterais indesejáveis”** da proibição. Roberta Jacarandá, diretora de relações institucionais do conselho, apontou que, mesmo com restrições na Austrália, 85% dos jovens entre 12 e 15 anos continuam acessando redes sociais por meio de perfis falsos ou contas compartilhadas, o que torna a experiência **invisível e menos segura**.

O conselho defende a estratégia do ECA Digital, que foca na **garantia de um ambiente seguro** para a navegação, em vez de uma proibição total. Rodrigo Nejm, especialista do Instituto Alana, ressaltou a importância de ouvir crianças e adolescentes para construir uma realidade digital mais saudável, complementando que uma **fiscalização robusta do ECA Digital** e a **educação digital crítica** são caminhos promissores.

Renato Oliveira, do Ministério das Comunicações, informou que o Plano Nacional de Inclusão Digital (PNID) está em desenvolvimento e focará no aprimoramento de **competências digitais**. Ele enfatizou que o **letramento digital é fundamental** para capacitar jovens a usar tecnologias de forma segura, crítica e produtiva, como uma resposta estrutural e complementar às restrições de acesso.