Skip to content

Poesia do Pajeú: Câmara aprova reconhecimento nacional para a rica tradição oral pernambucana

março 4, 2026

Cultura Nacional Celebra Poesia do Pajeú: Reconhecimento Avança para o Senado

A Câmara dos Deputados deu um passo significativo para valorizar a rica tapeçaria cultural brasileira ao aprovar um projeto de lei que reconhece a **poesia do Pajeú** como manifestação da cultura nacional. A iniciativa, que agora segue para o Senado, visa prestigiar e preservar essa forma de expressão única, profundamente enraizada no Sertão do Pajeú, em Pernambuco.

A poesia do Pajeú é mais do que versos; é um complexo cultural e comunicativo de **tradição oral**, com epicentro em municípios como São José do Egito. Caracteriza-se pelo repentismo, glosas e uma métrica rigorosa, abordando com lirismo e improvisação temas como a resistência do sertanejo, o cotidiano árduo e a força diante da seca.

Conforme informações divulgadas pela Agência Câmara Notícias, o projeto de lei, de autoria do deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE) e com parecer favorável do relator Carlos Veras (PT-PE), busca emancipar crianças, levar a cultura para as escolas e construir um acervo dedicado à poesia do Pajeú. A proposta ressalta que essas poesias não apenas embelezam, mas também formam crítica social e consciências esclarecidas.

Tradição Oral e Crítica Social: A Essência da Poesia do Pajeú

A poesia do Pajeú se destaca por sua forte **tradição oral**, onde o saber é transmitido de geração em geração. Essa cadeia intergeracional de transmissão cultural foi confirmada por pesquisas acadêmicas recentes, segundo o autor do projeto. A integração da poesia popular nas práticas escolares é vista como um pilar educacional fundamental.

O deputado Túlio Gadêlha enfatizou a efervescência cultural da região, ilustrando com um exemplo: “No Pajeú, a cultura é efervescente. Se você for na padaria e pedir um poema, ele manda um poema”. Essa vivacidade demonstra como a poesia está intrinsecamente ligada ao cotidiano e à identidade do povo sertanejo.

Um Reconhecimento Histórico e Pedagógico

O relator, deputado Carlos Veras, celebrou o reconhecimento como a correção de uma **lacuna histórica e institucional**. Ele ressaltou que a poesia do Pajeú eleva ao patamar das grandes artes brasileiras uma tradição que sustenta o imaginário do sertanejo há gerações. “No Pajeú, ser poeta é um título de nobreza civil”, afirmou Veras, destacando como a poesia eleva a autoestima e empodera o indivíduo.

Veras também pontuou o inegável **caráter educacional** dessa poesia, funcionando como um sistema vivo de transmissão de conhecimento. “Crianças aprendem a contar sílabas poéticas e, por meio delas, perfazem ludicamente o caminho de acesso à língua portuguesa”, explicou. O rigor gramatical e a riqueza vocabular presentes nos versos são, segundo ele, ferramentas pedagógicas valiosas.

Vozes do Congresso em Defesa da Poesia

Outros deputados também manifestaram apoio à proposta. Helder Salomão (PT-ES) elogiou a poesia como a **expressão do que é mais valioso para a população**. Deputados como Heloísa Helena (Rede-RJ), Pedro Campos (PSB-PE), Erika Kokay (PT-DF), Célia Xakriabá (Psol-MG) e Chico Alencar (Psol-RJ) recitaram versos em defesa do projeto, reforçando a importância da cultura na formação do povo.

Erika Kokay emocionou ao citar que a poesia do Pajeú “canta a realidade, saúda o amanhecer, dialoga com as estrelas e transforma o cotidiano em rima”. A aprovação deste projeto de lei é, portanto, um importante reconhecimento da **riqueza cultural** e do potencial transformador da poesia do Pajeú para todo o Brasil.