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Petrobras e Postos de Combustível Explicam Alta: Não Somos os Únicos Vilões da Gasolina Cara

abril 14, 2026

Petrobras e Postos de Combustível Explicam Alta: Não Somos os Únicos Vilões da Gasolina Cara

Em audiência na Câmara dos Deputados, representantes da Petrobras e da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis) negaram ser os únicos responsáveis pela recente escalada nos preços dos combustíveis. Eles argumentam que fatores externos e a composição complexa do preço final ao consumidor são os principais motores dessa alta, buscando equilibrar a livre concorrência com a proteção social.

A discussão focou nos desafios de manter preços acessíveis em um cenário de volatilidade econômica internacional, especialmente com conflitos no Oriente Médio impactando o mercado de petróleo. A Petrobras e os revendedores defendem que a responsabilidade pela variação de preços é compartilhada e que mudanças estruturais são necessárias.

Conforme informações apresentadas na Comissão de Finanças e Tributação, a culpa pela alta dos combustíveis não recai unicamente sobre a Petrobras ou os postos de gasolina. A complexidade do mercado e a influência de eventos globais são os principais fatores, conforme explicado pelos representantes do setor.

A Petrobras e sua Parcela no Preço

Diogo Bezerra, gerente de Previsão de Preços da Petrobras, ressaltou que a participação da empresa no preço final ao consumidor é apenas uma fração. Ele explicou que, embora a Petrobras seja frequentemente apontada como a principal responsável pelas variações, sua parcela na gasolina, por exemplo, é de R$ 1,80, dentro de um preço médio nacional de R$ 6,77 por litro. O restante do valor é composto por tributos federais e estaduais, custos de adição de etanol anidro e margens de distribuição e revenda.

Postos de Combustível: O Elo Mais Frágil da Cadeia

James Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis, entidade que representa cerca de 40 mil postos revendedores no Brasil, descreveu os revendedores como o elo mais vulnerável da cadeia de combustíveis. Ele afirmou que o posto é apenas um reflexo da distribuição, e que quando os custos aumentam na origem, o preço inevitavelmente sobe para o consumidor final. Thorp Neto também mencionou que os postos enfrentam custos variáveis, como o preço do etanol e os créditos de descarbonização.

O Impacto da Instabilidade Global e a Composição do Preço

A audiência destacou como os conflitos no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, têm desestabilizado o mercado internacional de petróleo, impactando diretamente os preços da gasolina e do diesel no Brasil. Dados apresentados indicam um aumento significativo nos preços em um curto período. Na última semana de fevereiro, antes do início do conflito, a gasolina custava em média R$ 6,28, subindo para R$ 6,77 na semana passada. O óleo diesel teve uma variação ainda maior, passando de R$ 6,09 para R$ 7,58 no mesmo período.

Propostas para um Setor Mais Resiliente

Diante do cenário, defensores de mudanças estruturais foram ouvidos. O deputado Pedro Uczai (PT-SC) e a diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Ticiana Alvares, sugeriram a reestatização da BR Distribuidora e o fortalecimento da Petrobras. Uczai argumentou que a privatização de ativos estratégicos reduziu a capacidade de atuação do Estado e que são necessárias estratégias de longo prazo para evitar novas crises. Alvares alertou que, sem uma Petrobras forte e integrada, o impacto social poderia ser ainda maior, prevendo que o diesel poderia chegar a R$ 10 em todo o país.

O presidente da Comissão de Finanças e Tributação, deputado Merlong Solano (PT-PI), reconheceu a gravidade da situação e citou medidas já adotadas pelo governo, como a redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel e a concessão de subsídios. No entanto, ele alertou que tais ações têm limites e que é fundamental avaliar outros fatores do setor, defendendo maior transparência e fiscalização.