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Pensão de R$ 3 mil para colonos da Amazônia na ditadura: Comissão da Câmara aprova reparação histórica

março 5, 2026

Comissão da Câmara aprova pensão especial para colonos da Amazônia

Um importante passo foi dado na Câmara dos Deputados com a aprovação, pela Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, de um projeto de lei que institui uma pensão especial vitalícia. A medida visa beneficiar trabalhadores rurais que foram levados para projetos de colonização na região amazônica entre os anos de 1971 e 1974, durante o regime militar.

O benefício, no valor de dois salários mínimos mensais, equivalente atualmente a R$ 3.018, busca reparar os danos causados pelo descumprimento de promessas feitas pelo governo da época. Milhares de famílias foram incentivadas a migrar com a garantia de infraestrutura e apoio, que acabaram não se concretizando, deixando muitos em condições precárias.

A proposta original é do deputado Airton Faleiro (PT-PA) e foi aprimorada com um substitutivo da Comissão de Agricultura e emendas da relatora, deputada Célia Xakriabá (Psol-MG). A iniciativa representa um reconhecimento e uma tentativa de reparação histórica para aqueles que enfrentaram dificuldades extremas em busca de uma nova vida na Amazônia, conforme divulgado pela Agência Câmara de Notícias.

Critérios rigorosos para comprovação e recebimento do benefício

Para garantir a lisura do processo e evitar fraudes, o projeto estabelece critérios objetivos para a comprovação da condição de colono. Será exigida prova material, como documentos da época, não sendo suficiente apenas a prova testemunhal. Essa exigência visa equiparar o processo às regras previdenciárias de trabalhadores rurais, como recomendado pela relatora.

Além disso, a deputada Célia Xakriabá incluiu emendas que definem critérios de renda para a concessão do benefício. O beneficiário precisará ter uma renda familiar per capita igual ou inferior a um quarto do salário mínimo. Esta medida assegura que o auxílio chegue àqueles que realmente necessitam e que foram mais impactados pelas condições adversas.

Um olhar para a reparação histórica e a realidade dos colonos

Em seu parecer, a relatora, deputada Célia Xakriabá, fez um paralelo entre a situação desses colonos e a história dos “soldados da borracha”. Estes últimos foram levados para a Amazônia no início do século XX para trabalhar em seringais, muitos dos quais acabaram morrendo ou vivendo na miséria. A comparação ressalta a gravidade da situação enfrentada pelos colonos.

A deputada destacou que, em vez de prosperidade, a realidade vivida por muitos nos projetos de colonização foi de constante luta pela subsistência. A fome era uma ameaça real e permanente para milhares de famílias que deixaram suas terras em busca de oportunidades que não se materializaram como prometido pelo governo militar da época.

Regras detalhadas para a pensão especial vitalícia

O valor da pensão especial vitalícia foi fixado em R$ 3.018, o equivalente a dois salários mínimos atuais, com reajustes anuais previstos conforme o piso nacional. Em caso de falecimento do titular, a pensão poderá ser transferida aos dependentes, desde que estes comprovem baixa renda, garantindo a continuidade do suporte familiar.

É importante notar que o benefício não poderá ser acumulado com aposentadorias do INSS ou de regimes próprios. A relatora também vetou o acúmulo com outras indenizações pagas pela União ou pelo Incra pelos mesmos fatos, mas assegurou o direito do beneficiário de optar pelo valor mais vantajoso, caso se aplique.

Próximos passos do projeto de lei

O projeto de lei agora segue em caráter conclusivo e será analisado pelas Comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que a proposta se torne lei, ela ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado Federal, representando um longo caminho, mas com esperança de justiça para os colonos afetados.