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Motoristas de Aplicativo na Câmara: Risco de Morte e Luta por Ganhos Justos em Debate

março 26, 2026

Motoristas de Aplicativo Cobram Mais Segurança e Melhor Remuneração na Câmara

A Câmara dos Deputados foi palco de um debate crucial para o futuro dos motoristas de aplicativo no Brasil. Representantes da categoria apresentaram suas demandas, focando em dois pilares essenciais: a **melhoria da remuneração** e o **aumento da segurança** durante o exercício da profissão.

A discussão, promovida pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes), trouxe à tona os desafios enfrentados por milhões de trabalhadores que dependem das plataformas digitais para gerar renda. As preocupações vão desde a complexidade dos algoritmos até o risco iminente de violência em determinadas áreas.

A necessidade de regulamentação e de atenção às condições de trabalho desses profissionais foi o ponto central do encontro. Conforme informações divulgadas pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara, a categoria busca um diálogo construtivo para encontrar soluções duradouras. A pauta agora avança para discussões mais aprofundadas sobre o PLP 152/25, que visa regulamentar o trabalho digital.

A Batalha pela Humanização dos Algoritmos e Ganhos Reais

Denis Moura, diretor da Federação Brasileira de Motoristas de Aplicativos, destacou a alta exigência de produtividade imposta pelos algoritmos das empresas. Segundo ele, muitos motoristas acabam se iludindo com os potenciais ganhos, sem perceber a intensidade do esforço necessário para atingir resultados significativos.

“A nossa batalha, e eu acho que vai ser uma batalha muito longa ainda, é buscar humanização para essa relação. É uma relação que favorece o motorista, as pessoas realmente geram renda, mas se iludem muito”, afirmou Moura. Ele também solicitou a criação de um **cadastro nacional de motoristas** para coletar dados mais precisos sobre o setor.

Segurança: O Risco de Morte e a Discriminação de Comunidades

A questão da segurança foi apontada como um dos maiores entraves para os motoristas, especialmente em áreas de risco como algumas comunidades do Rio de Janeiro. Denis Moura relatou que, em certas localidades, existem pontos de embarque e desembarque que representam perigo, forçando os motoristas a buscarem alternativas ou a recusarem corridas.

Para mitigar esses riscos, foi sugerido que os próprios aplicativos implementem restrições de acesso a áreas consideradas perigosas, evitando que motoristas aceitem corridas que coloquem suas vidas em risco. Outra proposta é **não punir os motoristas** que cancelam corridas nessas circunstâncias.

Andrê Porto, diretor da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, ponderou que a exclusão de áreas pode ser vista como discriminatória. Ele ressaltou que, embora o senso comum aponte o perigo, é preciso definir objetivamente quais áreas representam risco e como evitar a discriminação contra as comunidades. Porto informou que **2,2 milhões de motoristas e entregadores** atuam no país, e cerca de **35% das corridas** têm origem ou destino em comunidades.

Condições Estruturais e a Luta Contra a Pobreza

Amanda Trentin, do Instituto Gerando Falcões, trouxe uma perspectiva mais ampla, argumentando que o trabalho digital, por si só, não é suficiente para erradicar a pobreza. Ela enfatizou a necessidade de **mudanças nas condições estruturais**, como a oferta de moradia digna, para que as pessoas em situação de vulnerabilidade social possam ter uma vida mais estável.

Trentin apresentou dados alarmantes sobre a pobreza no Brasil, com **59 milhões de pessoas** vivendo em situação de pobreza, com renda mensal aproximada de R$ 694, e **9,5 milhões em extrema pobreza**, com renda de R$ 218 mensais. A discussão na Câmara busca, portanto, não apenas a melhoria das condições de trabalho dos motoristas de aplicativo, mas também um olhar atento para as complexas questões sociais do país.