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Hospitais Terão Salas Especiais Para Comunicar Mortes e Diagnósticos Graves, Aprovado na Câmara dos Deputados

março 24, 2026

Câmara dos Deputados Aprova Criação de Salas Humanizadas em Hospitais para Comunicação de Notícias Difíceis

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados deu um passo importante rumo a um atendimento mais humanizado em hospitais. Foi aprovado um projeto de lei que obriga tanto unidades públicas quanto privadas a criarem salas especializadas para o acolhimento de familiares e acompanhantes.

O objetivo principal desta iniciativa é proporcionar um ambiente adequado e digno para que as equipes médicas possam comunicar falecimentos de pacientes ou o diagnóstico de condições graves e irreversíveis. Essa medida busca minimizar o sofrimento em momentos de extrema fragilidade emocional.

A proposta, que segue agora para outras comissões, visa garantir que essas notícias impactantes sejam dadas em locais reservados e tranquilos, longe do burburinho de corredores e enfermarias. A decisão reflete uma preocupação crescente com o bem-estar psicológico de quem convive com a doença.

Estrutura e Atendimento das Novas Salas

As salas especializadas deverão ser ambientes reservados e silenciosos, equipados com uma infraestrutura que promova o conforto. A expectativa é que contem com poltronas adequadas e acesso à água, proporcionando um mínimo de bem-estar aos presentes. O atendimento nessas salas deverá ser conduzido por um profissional de saúde treinado.

Uma das novidades introduzidas pelo substitutivo do relator, deputado Dr. Francisco (PT-PI), é a possibilidade de a família solicitar o acompanhamento de um assistente social ou até mesmo de um capelão, reforçando o caráter humanizado do acolhimento. Essa flexibilidade visa atender às diversas necessidades espirituais e de suporte emocional das famílias.

Mudanças e Penalidades no Projeto de Lei

O projeto original, de autoria do deputado Bebeto (PP-RJ), sofreu ajustes importantes. Uma das alterações significativas foi a inclusão de penalidades, como advertência e multa, também para hospitais públicos que descumprirem a norma. Anteriormente, a punição estava prevista apenas para instituições privadas.

Outra modificação relevante diz respeito ao apoio psicológico. O termo foi alterado de ‘apoio psicológico imediato’ para ‘profissional de saúde treinado’. O relator justificou que a exigência de um psicólogo poderia ser inviável em locais com menos recursos, buscando uma solução mais abrangente e adaptável.

Comunicação Preferencialmente pelo Médico Responsável

O novo texto também estabelece que a comunicação de notícias graves e de falecimentos deverá ser feita, preferencialmente, pelo médico responsável pelo paciente. Essa medida visa garantir que a informação seja transmitida por quem conhece o histórico e o quadro clínico do paciente, transmitindo maior segurança e clareza.

O deputado Dr. Francisco ressaltou a importância do acolhimento humanizado, afirmando que “o momento da perda de um ente querido, ou de um diagnóstico grave, exige não apenas cuidados médicos com o paciente, mas também sensibilidade com a dor emocional dos familiares”. Ele também alertou que “a forma como uma notícia grave é comunicada pode agravar o sofrimento dos familiares e, potencialmente, desencadear quadros de saúde mental, como ansiedade, depressão ou estresse traumático”.

Próximos Passos Legislativos

O projeto de lei tramita em caráter conclusivo e, após a aprovação pela Comissão de Saúde, será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que se torne lei, a proposta ainda precisa ser aprovada pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, além de ser sancionada pela Presidência da República.