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Guerra no Oriente Médio Eleva Preço do Combustível: 3,5 Mil Voos Cancelados no Brasil e Mais de 2,6 Mil Previstos para Junho

maio 22, 2026

Alta do Combustível Provocada pela Guerra no Oriente Médio Já Causou Cancelamento de 3,5 Mil Voos no País, Segundo Anac

A escalada dos preços do combustível, intensificada pela guerra no Oriente Médio, já gerou um impacto significativo no setor aéreo brasileiro. Em maio, mais de 3,5 mil voos foram cancelados em todo o país, um reflexo direto do aumento expressivo no custo do querosene de aviação. A situação tende a se agravar, com a previsão de que outros 2,6 mil voos sejam suprimidos em junho, de acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Esses cancelamentos e a consequente redução da malha aérea foram temas de debate na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados. O aumento do preço do querosene de aviação, essencial para as operações aéreas, tem pressionado o valor das passagens e levado as companhias a reavaliar suas rotas e frequências.

Apesar dos cancelamentos, a Anac assegura que nenhum destino deixou de ser atendido e que não há risco de desabastecimento no país, diferentemente de cenários observados em algumas nações europeias. No entanto, as rotas regionais foram as mais afetadas, impactando especialmente estados como Acre, Amazonas, Pernambuco, Goiás, Pará, Paraíba e Minas Gerais, conforme apontou o Ministério do Turismo.

Petrobras Implementa Programa Temporário para Distribuidores de Combustível de Aviação

Em resposta à crise, a Petrobras criou um programa temporário voltado para as distribuidoras de aviação comercial. Essa iniciativa permite o parcelamento de parte do reajuste no preço do querosene de aviação, buscando amenizar os efeitos imediatos sobre as empresas. Segundo a Petrobras, o aumento aplicado em abril foi limitado a 18%.

Em maio, o programa foi renovado, e o reajuste foi limitado a 28% em relação ao preço de março. A diferença remanescente será parcelada em seis vezes, com a primeira parcela prevista apenas para julho de 2026. Essa medida visa dar um fôlego ao setor enquanto se buscam soluções de longo prazo.

A estatal também anunciou planos para investir na ampliação da produção nacional de querosene de aviação, com o objetivo de reduzir a dependência das importações. Atualmente, nove refinarias produzem o combustível no Brasil, sendo seis delas pertencentes à Petrobras. Das 14 distribuidoras do produto, 11 são estatais.

Medidas Governamentais e Demandas do Setor Aéreo

O governo federal suspendeu a cobrança do PIS/Cofins sobre o querosene de aviação até o final de maio, uma medida que visava aliviar a carga tributária sobre o setor. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) defende a prorrogação dessa isenção até o fim do ano. A entidade também propõe um novo acordo entre Petrobras e distribuidoras para que o reajuste previsto para maio seja integralmente parcelado.

Apesar da alta expressiva no querosene de aviação, o impacto em outros combustíveis, como a gasolina, foi menor. O diretor do Departamento de Combustíveis e Derivados do Ministério de Minas e Energia informou que o aumento da gasolina no Brasil ficou em 5,9%, um dos menores índices globais. O Brasil importa até 30% do querosene de aviação consumido no país.

Críticas à Ausência do Ministério da Fazenda e Busca por Soluções Permanentes

O presidente da Frente Parlamentar da Aviação Civil e do Turismo criticou a ausência de representantes do Ministério da Fazenda no debate sobre o aumento do combustível. Ele sugeriu que essa ausência pode indicar que o governo ainda não apresentou medidas concretas para lidar com o problema.

O parlamentar ressaltou que as medidas adotadas até o momento são temporárias e anunciou a intenção de convocar os ministros da Fazenda e da Casa Civil para que expliquem quais ações permanentes serão implementadas para estabilizar o setor e garantir a continuidade dos serviços aéreos no país.