
Audiência Pública em Manaus Avança no Debate sobre Fim da Escala 6×1 e Suas Vantagens para Empresários
Uma audiência pública realizada em Manaus trouxe à tona discussões importantes sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e seus potenciais benefícios para o setor empresarial. O evento, parte do programa Câmera pelo Brasil, serviu como palco para que especialistas e representantes de diversas áreas expusessem argumentos sobre como a redução da jornada de trabalho pode, na verdade, gerar vantagens econômicas.
O deputado Leo Prates, relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que propõe a mudança, enfatizou que a regulamentação da nova jornada poderá incluir medidas de “mitigação” para auxiliar micro e pequenos empresários a se adaptarem. A ideia é garantir que a transição seja suave e que os negócios possam prosperar com as novas regras.
A discussão em Manaus ressaltou que, contrariando preocupações iniciais, o fim da escala 6×1 pode trazer um cenário positivo para o ambiente de negócios. Conforme apurado pela Agência Câmara Notícias, a busca por um equilíbrio maior na vida dos trabalhadores pode se traduzir em ganhos de produtividade e redução de custos indiretos para as empresas, além de fortalecer o vínculo familiar e diminuir acidentes de trabalho.
Redução de Custos e Aumento de Produtividade em Foco
O deputado Saullo Vianna (União-AM) reforçou o coro dos que veem benefícios econômicos na mudança. Ele citou que “a ciência, a experiência internacional e os dados apresentados por especialistas mostram que uma jornada mais equilibrada reduz acidentes, aumenta a produtividade, melhora o engajamento, fortalece o vínculo familiar e reduz os custos indiretos para as empresas e para o Estado”.
Um dos pontos levantados foi a possibilidade de o Microempreendedor Individual (MEI) ter a permissão de contratar mais de um funcionário, facilitando o cumprimento da jornada reduzida de 44 para 40 horas semanais. Essa flexibilidade visa a não prejudicar os pequenos negócios durante a adaptação.
Setores Beneficiados e Lições do Passado
Embora o setor de turismo, bares e restaurantes tenha sido apontado como um dos mais suscetíveis a impactos iniciais, o deputado Leo Prates acredita que esses mesmos setores serão grandes beneficiados pela escala com dois dias de descanso consecutivos. Acredita-se que o descanso adequado melhore o desempenho dos funcionários nesses ambientes.
Ana Cristina Rodrigues, representante da Central dos Trabalhadores do Brasil, trouxe um contraponto histórico, lembrando que, no passado, houve resistência à implantação do décimo terceiro salário, com previsões de quebra econômica. “E o que a história relata é que todo avanço para os trabalhadores não quebra a economia. Muito pelo contrário, faz com que a sociedade avance mais e mais”, afirmou.
Ouvindo os Diferentes Lados
Representantes do setor empresarial, como Bruno Pinheiro, da Associação Comercial do Estado do Amazonas, manifestaram preocupação com os impactos e solicitaram um período de transição de cinco anos para as pequenas empresas. Já Frank Souza, do Sindicato da Indústria do Estado do Amazonas, defendeu que a jornada de trabalho seja definida por meio de negociação coletiva.
A proposta que visa alterar a jornada de trabalho deve ser votada em breve na Câmara dos Deputados, após esses debates que buscam conciliar os interesses de trabalhadores e empregadores.