
Inep se manifesta sobre redação do Enem e futuro da correção de provas
Em audiência pública na Câmara dos Deputados, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) abordou as recentes preocupações de estudantes sobre a correção das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
O órgão negou veementemente qualquer alteração nos critérios de avaliação da redação, que, segundo o Inep, seguem a mesma matriz de referência desde 2009. A declaração veio em resposta a questionamentos sobre supostas inconsistências e falta de transparência nas notas da edição de 2025.
O debate atendeu a um requerimento do deputado Túlio Gadelha (PSD-PE), que relatou divergências matemáticas nos boletins e possíveis mudanças em orientações internas do exame, segundo relatos de estudantes. Conforme informações divulgadas pelo Inep, o foco tem sido um **aumento no rigor contra a identificação de textos produzidos a partir de modelos padronizados**, o que o diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Eduardo Carvalho Sousa, chamou de “indústria de redações pré-fabricadas”.
Rigor na correção e combate a modelos padronizados
Eduardo Carvalho Sousa explicou que o treinamento dos corretores é específico e que cada redação passa por uma avaliação independente de dois profissionais. Caso a diferença entre as notas atribuídas por eles ultrapasse 80 pontos em alguma competência, a redação é encaminhada para uma nova análise. Essa medida visa garantir a **imparcialidade e a precisão na correção das provas do Enem**.
Sousa destacou que o objetivo não é mudar os critérios, mas sim **aprimorar a detecção de fraudes e textos que não refletem a autoria do estudante**, como aqueles que apenas alteram algumas frases de modelos prontos. Ele ressaltou que a matriz de referência da redação do Enem, responsável por guiar os critérios de avaliação, não sofre alterações desde 2009.
Inteligência Artificial para agilizar divulgação de notas
Em busca de otimizar processos, o Inep informou que está iniciando um estudo de viabilidade com empresas de tecnologia para **avaliar o uso de inteligência artificial (IA) na correção das redações do Enem**. A intenção principal é reduzir o tempo de divulgação da folha espelho e da avaliação pedagógica da redação, informações que atualmente levam cerca de 60 dias para serem disponibilizadas após a divulgação das notas oficiais.
Essa iniciativa visa **acelerar o retorno dos resultados para os estudantes**, permitindo que eles compreendam melhor seu desempenho e identifiquem pontos de melhoria de forma mais rápida. O Inep busca, com isso, modernizar o processo de divulgação das avaliações pedagógicas.
Estudantes pedem mais transparência e cautela com a IA
Representantes estudantis presentes na audiência defenderam uma **maior clareza nos critérios de correção do Enem** e um acesso mais facilitado às avaliações. Letícia Holanda, diretora de Relações Institucionais da União Nacional dos Estudantes (UNE), argumentou que a compreensão dos editais e documentos do exame é um desafio para muitos jovens, especialmente os de periferia.
Ela enfatizou que conhecer os critérios de avaliação **aumenta a confiança no exame e auxilia no planejamento dos estudos**. No entanto, Holanda também alertou para a necessidade de cautela na adoção de novas tecnologias, como a IA, defendendo um controle público e social para garantir a transparência e evitar que a tecnologia reforce vieses existentes.
Mecanismos de contestação e integração de avaliações
Paulo Henrique Viana, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), propôs a criação de mecanismos mais simples para a contestação de notas, sugerindo que a folha espelho sirva como um instrumento claro para que o estudante identifique seus erros e inconsistências, com um canal formal para apresentar essas demandas ao Inep. O Inep informou que o canal oficial para registro de demandas é a plataforma Fala BR.
Lorena Pantaleão da Silva, representando o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), destacou a importância da redação do Enem na formação dos estudantes, estimulando o pensamento crítico e a cidadania. Ela também mencionou que a **integração entre o Enem e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb)** pode auxiliar as secretarias estaduais no monitoramento do ensino médio e no acompanhamento dos resultados de aprendizagem.