
Câmara dos Deputados celebra Dia da Síndrome de Down com foco em inclusão e combate ao isolamento social
Em uma sessão solene realizada nesta sexta-feira (20) na Câmara dos Deputados, a comunidade celebrou o Dia Internacional da Síndrome de Down. O evento, que teve como lema “Amizade, acolhimento e inclusão: Xô solidão”, reuniu parlamentares e representantes da sociedade civil para reforçar a urgência de políticas públicas voltadas para a inclusão efetiva e o combate à solidão enfrentada por pessoas com deficiência.
A deputada Erika Kokay (PT-DF), idealizadora da sessão, enfatizou que uma sociedade verdadeiramente democrática é aquela que abraça e reconhece a diversidade. “A inclusão começa quando convivemos, compartilhamos e respeitamos nossas diferenças. Precisamos de uma sociedade acessível do ponto de vista emocional, atitudinal e arquitetônico”, declarou a parlamentar, destacando a necessidade de superar barreiras que vão além do espaço físico.
O isolamento social foi apontado como um dos principais desafios para pessoas com deficiência intelectual, especialmente na adolescência e na vida adulta. Cleonice Bonda de Lima, presidenta da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, ressaltou a importância do convívio para a inclusão. “Transformamos o lema da ONU em ‘Xô solidão’ porque o acolhimento e a inclusão evitam o afastamento dos espaços de convivência”, explicou.
Desafios na educação e a importância do protagonismo
Apesar de 92% das pessoas com deficiência estudarem em classes regulares, a falta de recursos e tecnologia assistiva nas escolas ainda é uma realidade preocupante. Michel Platini, ativista do Centro de Direitos Humanos, criticou a carência de monitores nas escolas do Distrito Federal, apontando que a ausência desses profissionais impacta negativamente a inclusão de estudantes com autismo e síndrome de Down. “Sem monitor e sem apoio comunitário, a inclusão não será efetiva. Ao negar esse apoio, o Estado compromete o futuro dessas pessoas”, alertou.
A sessão contou com a participação ativa de pessoas com síndrome de Down, que ocuparam a mesa principal do plenário, compartilhando suas experiências e reivindicações. Matheus Humberto, de 20 anos, relatou sua trajetória escolar, afirmando que, apesar das dificuldades, a persistência é fundamental. “Pessoas com síndrome de Down não querem apenas carinho. Querem oportunidades”, disse, reforçando a busca por autonomia e reconhecimento.
Gustavo Façanha, formado em eventos, complementou que as limitações são parte da condição humana, mas o que realmente falta são oportunidades e políticas públicas de apoio. “O que falta muitas vezes é oportunidade e políticas públicas que nos apoiem”, afirmou, ecoando o sentimento de muitos presentes.
Esporte e cultura como ferramentas de inclusão e celebração
O esporte foi amplamente destacado como uma poderosa ferramenta de socialização e desenvolvimento. A equipe de futsal Down do Distrito Federal, recentemente campeã de um torneio interestadual, foi homenageada na ocasião. O capitão Fernando Tocantins, conhecido como Dinho, celebrou a conquista, ressaltando o trabalho árduo dos professores e a dedicação da equipe.
Na esfera cultural, a presidenta do Instituto Apsdown, Janaína Parente, convidou o público para o Festdown, um evento inclusivo que aconteceria no dia seguinte na Biblioteca Nacional, em Brasília. Ela aproveitou para criticar atitudes capacitistas e a negação de espaços pela sociedade. “Muitas vezes a sociedade nega espaços. Precisamos superar a visão que trata a diversidade como peso”, concluiu, defendendo uma mudança de paradigma social.
Conforme informado pela Agência Câmara Notícias, a sessão buscou não apenas homenagear, mas também impulsionar ações concretas para garantir que pessoas com síndrome de Down tenham seus direitos plenamente respeitados e desfrutem de uma vida com mais oportunidades e menos solidão.