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Delegadas Alertam: Violência Sexual Contra Crianças na Internet Dispara e Exige Ações Urgentes do Governo

junho 3, 2026

Delegadas denunciam aumento alarmante da violência sexual infantil na internet e cobram medidas mais eficazes

A violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil tem migrado de forma assustadora para o ambiente digital, elevando exponencialmente os números e a complexidade das investigações. A constatação foi feita por delegadas em audiência na Câmara dos Deputados, que destacaram a urgência de ações de prevenção, agilidade nas apurações e endurecimento das punições para combater esse crime.

Essas autoridades policiais apresentaram dados preocupantes, sugestões e perfis de vítimas e criminosos durante a sessão da comissão externa da Casa dedicada à prevenção desse tipo de abuso. O cenário exposto revela um desafio crescente para a proteção dos mais vulneráveis em um mundo cada vez mais conectado.

Conforme relatado pelas delegadas, a internet se tornou um terreno fértil para a expansão de crimes sexuais contra menores, potencializando o alcance dos criminosos e dificultando o trabalho das forças de segurança. A informação foi divulgada em audiência pública, conforme noticiado.

A escalada dos crimes cibernéticos contra crianças

A delegada da Polícia Federal Rafaella Parca, atuante na Coordenação de Repressão a Crimes Cibernéticos Relacionados ao Abuso Sexual Infantojuvenil, apresentou um panorama sombrio. Ela ressaltou que, enquanto a violência sexual offline impacta um número limitado de vítimas, no ambiente cibernético um único criminoso pode alcançar centenas ou milhares de crianças.

“O indivíduo que, na vida real, tinha 3, 4, 5, 12 vítimas de estupro com contato físico, no ambiente cibernético tem 750. Então, houve um exponencial aumento dos crimes sexuais contra criança e adolescentes no ambiente digital. Isso ampliou os desafios de investigação e o número de crimes”, explicou a delegada.

Para combater essa onda de crimes, a Polícia Federal tem priorizado a repressão aos produtores de conteúdo criminoso e busca investigações mais rápidas e qualificadas. O Projeto Guardião da Infância é uma das principais iniciativas de prevenção, encorajando as vítimas a denunciarem os abusos sofridos.

A “infância do celular” e o perfil das vítimas

Rafaella Parca também alertou para a necessidade de tornar o ambiente digital mais seguro, diante da realidade da “substituição da infância do brincar pela infância do celular”. A delegada Lisandrea Colabuono, do Núcleo de Operações e Articulações Digitais da Polícia Civil de São Paulo, detalhou o perfil das vítimas mais comuns.

“A maioria das vítimas de crimes contra a dignidade sexual é de meninas de 6 até 14 anos de idade, aliciadas pela internet por meio de chats de jogos e plataformas digitais. A partir de então, os criminosos iniciam um relacionamento virtual e há uma troca de foto íntima, de vídeo íntimo. Aí, começam as extorsões para que essa foto ou vídeo não vaze na família dela, na igreja, na escola que ela frequenta”, descreveu Colabuono.

Criminosos: adolescentes e jovens adultos

O perfil dos criminosos investigados também foi detalhado pela delegada Lisandrea Colabuono. Segundo ela, a maioria dos investigados varia entre adolescentes infratores de 12 anos até adultos de 21 anos. Ela também mencionou casos de automutilação online e a combinação de crimes.

Colabuono citou o caso do ataque a tiros em uma escola estadual em São Paulo em 2023, que foi combinado e transmitido pela plataforma Discord por um adolescente de 16 anos, demonstrando a gravidade e a articulação desses crimes entre jovens.

Projetos de Lei e a necessidade de legislação mais dura

O deputado Osmar Terra, organizador da audiência, defende a criação de uma política nacional sobre o tema e a rápida aprovação de seu projeto de lei (PL 3066/25), que aumenta a pena para crimes sexuais contra crianças e adolescentes. O texto já foi aprovado pela Câmara e aguarda votação no Senado.

“Nós estamos procurando apressar lá e acho que vamos conseguir votar ainda no mês de junho, porque muitas vítimas e muitas crianças que estão sofrendo poderão ser salvas se a gente tiver uma legislação mais firme, mais dura, grande parte dela baseada na experiência de quem investiga”, afirmou Terra.

O procurador da República George Lodder elogiou o projeto e defendeu medidas para aumentar a efetividade dos processos e execuções penais. A delegada Rafaella Parca relembrou a Lei do ECA Digital (Lei 15.211/25), que obriga provedores a reportar crimes contra crianças e adolescentes, e o decreto que centralizou dados no Centro Nacional de Proteção a Criança e Adolescente, coordenado pela PF.

Ela reforçou que os consumidores desse conteúdo criminoso também devem ser responsabilizados, pois contribuem para alimentar a rede de produção de abusos. A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital é uma responsabilidade de todos.