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Crise Climática Atinge Mulheres e Meninas: Câmara Aprova Levantamento Detalhado de Dados para Ações Efetivas

março 12, 2026

Câmara dos Deputados Avança na Proteção de Mulheres e Meninas Diante da Crise Climática

Um passo significativo foi dado pela Câmara dos Deputados com a aprovação de um projeto de lei que determina o levantamento de dados detalhados sobre os impactos da crise climática na vida de mulheres e meninas. O objetivo é fornecer subsídios essenciais para o planejamento de políticas públicas e o estabelecimento de metas mais eficazes na adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças do clima.

A proposta, de autoria da deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) e com substitutivo da relatora Iza Arruda (MDB-PE), segue agora para análise do Senado. A iniciativa busca compreender as vulnerabilidades específicas enfrentadas por esse público, garantindo que as ações governamentais sejam mais assertivas e alcancem quem mais precisa.

A coleta e análise desses dados são fundamentais para direcionar investimentos e esforços. A medida visa garantir que o gasto público seja aplicado de forma a atender às áreas e populações mais expostas aos riscos climáticos, onde mulheres e meninas frequentemente suportam um fardo desproporcional. A informação foi divulgada pela Agência Câmara de Notícias.

Mapeamento Abrangente para Compreensão Profunda dos Impactos

O projeto aprovado detalha a necessidade de que os levantamentos considerem uma série de marcadores sociais, como raça, etnia, faixa etária, região, bioma, classe social e perfil socioeconômico. Essa abordagem multifacetada é crucial, segundo a relatora Iza Arruda, para entender as especificidades de cada grupo afetado. A deputada ressaltou que o projeto explicita elementos essenciais para avaliar perdas, danos e vulnerabilidades.

Serão quantificados riscos, responsabilidades de cuidado, acesso à água tratada e segurança alimentar, sempre associados à condição feminina. Essa análise aprofundada permitirá identificar onde os efeitos da crise climática são mais severos para mulheres e meninas, garantindo que as políticas públicas sejam desenhadas com essa realidade em mente.

Dados Alarmantes Apontam o Peso Desproporcional sobre as Mulheres

A deputada Célia Xakriabá destacou dados preocupantes que evidenciam o impacto da crise climática sobre as mulheres. Segundo estudos citados pela parlamentar, mulheres chefes de família podem perder até 40% de sua renda devido às mudanças climáticas, e a sobrecarga de trabalho feminino pode aumentar em 43%. Esses números sublinham a urgência de ações direcionadas.

O texto prevê que os dados coletados deverão considerar o número de mulheres e meninas expostas a diversos riscos climáticos, a quantificação de perdas e danos sofridos, e o grau de acesso a serviços essenciais como água potável e saneamento em lares chefiados por mulheres. A inclusão da segurança alimentar e hídrica por bioma ou região também é um ponto central.

Inclusão e Participação Feminina nas Decisões Climáticas

Um aspecto importante do projeto é o foco na participação feminina nos processos decisórios relacionados ao clima e ao meio ambiente. O levantamento de dados incluirá o índice de representação e participação das mulheres em todos os níveis de tomada de decisão. Além disso, será avaliado o acesso a auxílios emergenciais, resgates, abrigos e financiamentos climáticos em situações de desastres.

A inclusão de uma abordagem específica para mulheres em planos regionais e locais de adaptação e gestão de riscos climáticos é outra diretriz fortalecida. A lei que define a Política Nacional sobre Mudança do Clima será atualizada para combater a discriminação e garantir espaços democráticos que fortaleçam a participação feminina.

Saúde e Bem-Estar Feminino em Foco nas Políticas Climáticas

O projeto também direciona a coleta de dados sobre a saúde integral da mulher, incluindo o acesso e a qualidade do atendimento. A razão da mortalidade materna em diferentes regiões do país e o acesso a serviços de saúde serão analisados em relação aos impactos das mudanças climáticas. A incidência de doenças de veiculação hídrica, alimentar ou aérea em mulheres afetadas por eventos climáticos extremos também será monitorada.

Apesar da relevância da proposta, houve críticas. O deputado Gilson Marques (Novo-SC) questionou a associação entre crise climática e violência física, sexual e moral contra mulheres, considerando-a irreal. No entanto, a maioria dos parlamentares reconheceu a necessidade de dados específicos para embasar políticas públicas mais justas e eficazes diante da emergência climática.