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Conselho de Ética da Câmara aprova prosseguimento de processo contra Erika Hilton por quebra de decoro parlamentar

agosto 12, 2026

Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprova andamento de processo contra Erika Hilton por quebra de decoro

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados deu um passo importante nesta terça-feira, 11 de junho, ao aprovar o prosseguimento da Representação 8/26. A decisão, tomada por 10 votos a 5, autoriza a continuidade do processo que apura uma suposta quebra de decoro parlamentar por parte da deputada Erika Hilton (Psol-SP).

O Partido Missão é o autor da representação e busca a cassação do mandato da parlamentar. A ação se baseia em declarações feitas por Erika Hilton em uma postagem na plataforma X, antigo Twitter, em março deste ano. As falas geraram controvérsia e levaram à abertura deste processo disciplinar.

A deputada Erika Hilton se manifestou sobre o caso em suas redes sociais, defendendo suas declarações e apontando para o que considera perseguição política. A defesa da parlamentar argumenta que as palavras foram descontextualizadas e direcionadas a grupos específicos e não a coletividades. Conforme informação divulgada pelo portal da Câmara dos Deputados, a deputada terá agora um prazo para apresentar sua defesa formal.

O que diz a representação do Partido Missão

O cerne da representação reside em um trecho específico de uma postagem de Erika Hilton, realizada após sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Na ocasião, a deputada escreveu: “E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbecis é a última coisa que me importa.”

O Partido Missão interpreta que a expressão “imbeCIS” foi utilizada de forma pejorativa e que, juntamente com a frase “Podem espernear. Podem latir”, a deputada teria ofendido mulheres cisgênero, as “rebaixando à condição de cadelas”. Essa interpretação é contestada pela defesa de Erika Hilton.

Parecer do relator e defesa de Erika Hilton

O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), relator do caso no Conselho de Ética, apresentou um parecer favorável à continuidade do processo. Ele argumentou que a imunidade parlamentar não impede que o próprio Parlamento avalie e sancione excessos no uso da palavra. O relator destacou que “a imunidade parlamentar não afasta a possibilidade de que o próprio Parlamento reconheça excesso ou abuso no emprego da palavra e aplique a sanção que entender cabível”.

Na defesa prévia, Erika Hilton solicitou o arquivamento do processo, alegando perseguição política. Sua defesa sustentou que a palavra “imbeCIS” se dirigia a pessoas transfóbicas e não a mulheres cisgênero em geral. Quanto à expressão “podem latir”, a defesa afirmou que se referia a opositores políticos da deputada.

A defesa da deputada também pediu a substituição do relator, Cabo Gilberto Silva, sob a alegação de que ele não estaria sendo imparcial. O pedido foi negado pelo presidente do Conselho de Ética, deputado Fabio Schiochet (União-SC), que considerou que a apresentação de projetos de lei não configura pré-julgamento de conduta individual.

Próximos passos no processo

Com a aprovação do prosseguimento, Erika Hilton será notificada oficialmente e terá um prazo de dez dias úteis para apresentar sua defesa escrita. Durante essa fase, a deputada poderá indicar provas a serem produzidas e arrolar até oito testemunhas.

Após a apresentação da defesa e a produção de provas, o relator, deputado Cabo Gilberto Silva, elaborará um parecer final. Este parecer será submetido à discussão e votação nominal de todos os membros do Conselho de Ética. O processo tem um prazo máximo de 40 dias úteis para ser concluído.

Apoio a Erika Hilton e contexto da fala

Durante a reunião do Conselho de Ética, deputados como Chico Alencar (Psol-RJ), Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP) e Maria do Rosário (PT-RS) manifestaram apoio a Erika Hilton. Eles reforçaram que a fala da deputada não se dirigia a mulheres cisgênero, mas sim a grupos transfóbicos e racistas. A deputada Professora Luciene Cavalcante ressaltou o contexto da fala, afirmando que a deputada estava se defendendo de “grupos de homens que estavam sendo transfóbicos, machistas, racistas, redpills”.