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CNEN Completa 70 Anos: Produção de Radiofármacos e Desafios de Modernização Marcam Nova Etapa

maio 29, 2026

CNEN celebra 70 anos com avanços em radiofármacos e desafios orçamentários

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) comemorou seus 70 anos de existência em uma audiência pública na Câmara dos Deputados. O evento, promovido pela Comissão de Ciência e Tecnologia, reuniu a alta direção do órgão para apresentar conquistas significativas, como a produção nacional de radiofármacos, e discutir os desafios que se apresentam para o futuro.

Um dos pontos altos da celebração foi a atualização sobre o cronograma de construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). Considerado estratégico para o desenvolvimento do setor nuclear no país, o RMB visa suprir a demanda interna por radioisótopos, matéria-prima essencial para a fabricação de radiofármacos. A previsão é de que o local onde o reator será instalado seja inaugurado em junho.

A CNEN destacou também sua atuação em diversas outras frentes, que vão desde a esterilização de produtos médicos e farmacêuticos até pesquisas voltadas para a saúde pública e a conservação de bens culturais. Essas informações foram divulgadas durante a audiência. A instituição também alertou para a necessidade de estabilidade orçamentária e a recomposição de seu quadro de servidores, defasado há mais de uma década.

Avanços na Área Médica e o Reator Multipropósito

O presidente da CNEN, Francisco Rondinelli Júnior, ressaltou a importância da produção nacional de radiofármacos, especialmente o tecnécio, utilizado em mais de 80% dos exames de medicina nuclear. Ele explicou que o país busca diminuir a dependência externa através de investimentos em infraestrutura, incluindo o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). A conclusão do RMB é vista como crucial para garantir o fornecimento contínuo e aprimorar a capacidade de produção desses insumos vitais.

Diversidade de Aplicações da Tecnologia Nuclear

Além da medicina, a CNEN tem contribuído em diversas outras áreas. A tecnologia nuclear é empregada na esterilização de produtos médicos, farmacêuticos e biológicos, incluindo a radioesterilização de tecidos humanos, como a pele de tilápia, utilizada em tratamentos de queimaduras. Há também pesquisas para o combate ao mosquito Aedes aegypti, o controle de fungos em patrimônios culturais e o beneficiamento de minerais preciosos.

Desafios na Gestão de Pessoas e Orçamento

Um dos principais pontos levantados pelos diretores da CNEN foi a necessidade urgente de recomposição do quadro de servidores. Atualmente, apenas 46% dos cargos estão ocupados, um reflexo de mais de dez anos sem concursos públicos. A situação pode se agravar com as aposentadorias, reduzindo a capacidade operacional da instituição. Embora um concurso em 2025 preveja a nomeação de 100 novos servidores, parlamentares pedem a contratação de todo o cadastro de reserva, composto por 440 aprovados.

Histórico e o Legado da CNEN

Criada em 1956, a CNEN tem um longo histórico de atuação no Brasil, sediando o primeiro reator de pesquisa do hemisfério sul em 1957. A instituição passou por diversas reestruturações, com foco em pesquisa, desenvolvimento e formação de recursos humanos. Ao longo de sua trajetória, a CNEN também lidou com eventos complexos, como o acidente radiológico de Goiânia em 1987, um dos maiores do país, que envolveu o Césio-137 e resultou em vítimas fatais. O caso, que ganhou repercussão internacional através de uma série da Netflix, evidencia a importância da atuação responsável e reguladora da Comissão.