
Credores da Posco Cobram Ações da Câmara para Resolver Calote Bilionário no Ceará
A Câmara dos Deputados foi palco de um debate crucial sobre as consequências da atuação da Posco Engenharia e Construção do Brasil no Ceará. Credores reuniram-se para discutir um calote bilionário deixado pela construtora sul-coreana, que atuou em obras da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP).
A empresa é acusada de ter enviado recursos significativos ao exterior, declarando um patrimônio irrisório no Brasil após pedir falência. Essa situação deixou um rastro de dívidas trabalhistas, tributárias e comerciais que ultrapassam a marca de R$ 1 bilhão, impactando severamente empresas brasileiras e o fisco.
A gravidade do caso motivou a discussão nas comissões de Desenvolvimento Econômico e de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara. O objetivo é entender a extensão dos danos e buscar medidas que evitem a repetição de tais ocorrências no futuro, conforme informações divulgadas pela Agência Câmara Notícias.
Posco Brasil: Do Grande Empreendimento ao Pedido de Falência
A Posco Engenharia e Construção do Brasil, subsidiária de uma multinacional sul-coreana, foi responsável pelas obras da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), um empreendimento privado que custou mais de cinco bilhões de dólares. No entanto, em setembro de 2025, a construtora entrou com pedido de falência.
Frederico Carvalho Campelo Costa, presidente da Associação Internacional dos Credores da Posco, relatou o descaso da empresa. Ele destacou que a conta corrente da Posco Brasil apresentava um saldo de apenas R$ 100 no momento do pedido de falência. Este valor é ínfimo diante dos recursos recebidos e do patrimônio que a empresa deveria possuir.
Costa explicou que o empreendimento da CSP incentivou diversas empresas brasileiras a ampliarem seus investimentos e contraírem financiamentos para atender às demandas da obra. A falta de pagamento ao final do projeto, segundo ele, comprometeu a sobrevivência de muitos fornecedores, criando um cenário de crise para diversos negócios locais.
Impacto Fiscal e Prejuízos a Empresas Brasileiras em Debate
O deputado Moses Rodrigues (União-CE) ressaltou a necessidade de quantificar o impacto fiscal do empreendimento para o Ceará e para a União. Além disso, é fundamental dimensionar os prejuízos financeiros sofridos pelas empresas brasileiras que atuaram como fornecedoras.
O parlamentar enfatizou que a Câmara dos Deputados tem o papel de avaliar medidas legislativas para prevenir que situações semelhantes voltem a ocorrer. A intenção é garantir que novos prejuízos a empresas, pessoas físicas e ao Fisco Federal sejam evitados no futuro.
Busca por Solução Negociada e Preservação das Relações Comerciais
Em meio às discussões, o Ministério das Relações Exteriores, representado pelo diretor Carlos Henrique Moscardo, informou que o governo brasileiro está empenhado em buscar uma solução negociada para o caso. O objetivo é resolver a pendência sem prejudicar as relações comerciais entre o Brasil e a Coreia do Sul.
A busca por um acordo visa equilibrar os interesses dos credores com a manutenção das importantes relações diplomáticas e econômicas entre os dois países. A expectativa é que um desfecho favorável possa ser alcançado, minimizando os impactos negativos do calote da Posco Engenharia e Construção do Brasil.