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Alerta Urgente: Vício em Jogos “Bets” Ameaça Idosos no Brasil, Especialistas Pedem Regulação de Publicidade e Proteção Financeira

maio 22, 2026

Especialistas alertam para o vício em jogos “bets” entre idosos e pedem regulação de publicidade das plataformas

O avanço das plataformas de apostas online, popularmente conhecidas como “bets”, tem gerado preocupações crescentes em relação aos impactos negativos na população idosa brasileira. Especialistas e representantes do governo federal reuniram-se em audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o aumento da ludopatia, o vício em jogos, entre idosos e a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa para a publicidade dessas plataformas.

A facilidade de acesso a meios de pagamento como o Pix e a conexão direta com contas de aposentadoria têm contribuído para o superendividamento de muitos idosos. Essa situação, conforme apontam os debatedores, compromete a dignidade financeira e a qualidade de vida dessa parcela da população, que já enfrenta vulnerabilidades.

Durante o debate, que atendeu a requerimentos de diversos parlamentares, foram apresentados dados e alertas que servem de subsídio para a análise de projetos de lei voltados à proteção dos idosos. A discussão reforça a urgência de ações para salvaguardar os direitos humanos e financeiros da terceira idade diante de um cenário de crescente exposição a riscos.

Ludopatia: Um Transtorno Mental com Severas Consequências Financeiras e Psicológicas

A defensora pública federal Thaíssa Assunção de Faria, integrante de um grupo de trabalho da Defensoria Pública da União (DPU), explicou que a ludopatia é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno mental. O vício, que atua no sistema de recompensa do cérebro pela liberação de dopamina, já é considerado o terceiro maior vício do país, atrás apenas do tabagismo e do alcoolismo.

Ela destacou que esse problema está diretamente ligado ao fenômeno do superendividamento, que pode retirar o “mínimo existencial” dos cidadãos. As empresas de apostas, segundo Thaíssa, veem os idosos como um público-alvo atrativo devido à renda fixa de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), o que facilita a obtenção de empréstimos abusivos para cobrir perdas nos jogos.

“Não estamos falando de dinheiro de sobra. Estamos falando de desvios de recursos vitais originalmente destinados para medicamentos, alimentação e moradia”, criticou a defensora. Ela acrescentou que o sentimento de vergonha leva as vítimas a esconderem o vício, agravando quadros de ansiedade e depressão.

Violência Patrimonial Silenciosa: Como as “Bets” Afetam Financeiramente os Idosos

Paula Érica Batista, coordenadora-geral de política do direito da pessoa idosa em situação de vulnerabilidade do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, caracterizou a atuação das “bets” sobre esse público como uma forma de **violência patrimonial e financeira**. Ela ressaltou que essas plataformas adentram um universo tecnológico muitas vezes inacessível às políticas públicas.

Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registraram, de janeiro a maio de 2026, 17.690 denúncias de violência patrimonial e financeira contra pessoas idosas, resultando em 17.880 violações. Como resposta, o Ministério dos Direitos Humanos promove o programa Viva Mais Cidadania Digital, que foca em letramento digital e educação midiática para identificar riscos e golpes.

Estratégias de Proteção Social e Ações na Saúde Pública Contra o Vício em Jogos

Daniela Jinkings, especialista em envelhecimento do Ministério do Desenvolvimento Social, defende que o problema seja tratado como uma questão intersetorial de proteção social. Ela sugere o fortalecimento de mecanismos regulatórios sobre publicidade agressiva, o desenvolvimento de estratégias de educação financeira e digital, e a capacitação de profissionais do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e do Sistema Único de Saúde (SUS).

Bruno Ferrari, coordenador-geral da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, apontou que o Brasil lida com as consequências de um hiato regulatório. Ele informou que o ministério passou a tratar o tema formalmente como um problema de saúde pública, destacando que cerca de 4% das pessoas que buscam atendimento em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) por problemas com jogos são idosos, e essa proporção sobe para 7% em serviços de urgência e emergência.

Como resposta, o Ministério da Saúde criou uma linha de cuidado específica e um guia de orientação para trabalhadores da saúde. A plataforma centralizada de autoexclusão das plataformas de apostas registrou quase 220 mil adesões em seus primeiros 40 dias, direcionando usuários para o atendimento digital integrado ao SUS.