Skip to content

Acessibilidade: Comissão da Câmara aprova dever de adaptações proativas, sem necessidade de pedido prévio de pessoas com deficiência

abril 8, 2026

Câmara dos Deputados avança em projeto que torna acessibilidade uma obrigação preventiva

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados deu um passo importante para a inclusão. Foi aprovado um projeto de lei que visa alterar o Estatuto da Pessoa com Deficiência, estabelecendo que as adaptações necessárias para garantir a acessibilidade devem ser realizadas de forma proativa, sem que seja preciso um pedido prévio por parte das pessoas com deficiência.

Atualmente, a lei prevê a obrigação de realizar as chamadas “adaptações razoáveis”, mas a aplicação dessas medidas muitas vezes ocorre de maneira reativa. Isso significa que a pessoa com deficiência precisa identificar as barreiras e formalizar um pedido para que as adaptações sejam feitas, o que impõe um ônus desproporcional ao cidadão, conforme argumenta o autor do projeto original, deputado Amom Mandel (Cidadania-AM).

A nova proposta busca mudar esse cenário, promovendo a acessibilidade desde a concepção de espaços e serviços. O objetivo é criar uma cultura de inclusão mais efetiva e garantir que os direitos das pessoas com deficiência sejam plenamente respeitados, alinhando o Brasil a práticas já adotadas em outros países. A matéria segue agora para análise em outras comissões.

Substitutivo ajusta redação para “adaptações razoáveis”

A relatora do projeto, deputada Silvia Cristina (PP-RO), apresentou um substitutivo que ajustou a redação original. Em vez de criar um novo termo como “acomodação razoável ativa e obrigatória”, a deputada optou por inserir a obrigatoriedade da atuação preventiva diretamente na definição de “adaptações razoáveis” já existente na lei. Essa mudança visa evitar conflitos com conceitos já estabelecidos em tratados internacionais.

A deputada ressaltou a importância dessa mudança, afirmando que “a promoção de ambientes acessíveis desde sua concepção reduz a necessidade de adaptações posteriores, amplia a autonomia das pessoas com deficiência e contribui para a consolidação de uma cultura institucional de inclusão”. A ideia é que a acessibilidade seja pensada e implementada antes mesmo que barreiras sejam identificadas.

Brasil se alinha a padrões internacionais de acessibilidade

A proposta aprovada pela comissão busca alinhar a legislação brasileira a padrões internacionais. Países como os Estados Unidos e o Canadá já possuem legislações que consideram a ausência de ajustes preventivos como uma forma de discriminação. Ao adotar uma postura proativa, o Brasil fortalece seu compromisso com a inclusão e a igualdade de oportunidades para todos os cidadãos.

A iniciativa representa um avanço significativo para a garantia dos direitos das pessoas com deficiência, promovendo uma sociedade mais justa e acessível. A obrigatoriedade de adaptações sem necessidade de pedido prévio visa eliminar obstáculos e facilitar a plena participação dessas pessoas em todos os aspectos da vida social.

Próximas etapas do projeto de lei

O projeto de lei que trata da acessibilidade preventiva ainda precisará passar por outras instâncias dentro da Câmara dos Deputados. A próxima etapa será a análise pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Caso seja aprovado na CCJC, o texto seguirá para o Senado Federal para votação.

Para que a proposta se torne lei, é necessário que ela seja aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado. O avanço na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência é um indicativo positivo para a consolidação de um marco legal mais inclusivo no país.