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Câmara Aprova Política Nacional de Assistência Jurídica para Vítimas de Violência, Ampliando Direitos e Proteção

março 12, 2026

Câmara dos Deputados Avança na Proteção de Vítimas de Violência com Nova Política Jurídica

Um marco importante na defesa dos direitos humanos foi aprovado na Câmara dos Deputados: a criação da Política Nacional de Assistência Jurídica Obrigatória às Vítimas de Violência (Pnajov). A proposta, que visa garantir suporte legal e psicossocial integral, agora aguarda análise e aprovação no Senado Federal.

A iniciativa, originada de um projeto de lei da deputada Soraya Santos (PL-RJ) e aprimorada com um substitutivo da relatora Greyce Elias (Avante-MG), busca assegurar que nenhuma vítima de violência se sinta desamparada perante a complexidade do sistema judiciário brasileiro.

O objetivo principal é oferecer informação clara e acessível sobre direitos, prevenir a revitimização e garantir a autonomia da vítima em todas as etapas processuais e extrajudiciais. A medida, segundo a relatora, alinha o Brasil a padrões internacionais de direitos humanos, conforme divulgado pela Agência Câmara Notícias.

Ampla Cobertura de Direitos e Proteção

A Pnajov prevê que a assistência jurídica englobe todos os atos necessários para a proteção da vítima, incluindo o encaminhamento para atendimento psicossocial e de assistência social. A política tem como pilares garantir informação atualizada sobre direitos e o andamento de processos, prevenir a revitimização institucional, respeitar a vontade da vítima e assegurar sua participação ativa e célere, livre de discriminação.

O projeto estabelece que a ausência de assistência jurídica, quando comprovadamente causar prejuízo à vítima, poderá levar à nulidade dos atos processuais. Caso seja necessário ouvir a vítima em atos processuais, a sua assistência jurídica efetiva deverá ser garantida. Na impossibilidade de assegurar essa assistência no momento, o ato deverá ser adiado por 48 horas, a menos que haja urgência fundamentada pelo juiz.

Público-Alvo e Mecanismos de Execução

A política é direcionada a vítimas em situação de vulnerabilidade, com foco especial em mulheres vítimas de violência, crianças e adolescentes, idosos, pessoas com deficiência e vítimas indiretas de feminicídio. A assistência será prestada de forma gratuita através de diversos órgãos, como defensorias públicas, ministérios públicos, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por meio de advogados dativos, núcleos de prática jurídica de faculdades e entidades conveniadas.

A OAB terá um papel crucial ao instituir o Cadastro de Advogados para Atendimento às Vítimas de Violência (CAVV), visando indicar profissionais capacitados para atuar na área. A proposta também prevê a publicação anual de uma tabela social de honorários pela OAB, considerando a finalidade social e as particularidades regionais.

Debate e Controvérsias na Câmara

Apesar do consenso sobre a importância da assistência, houve críticas de deputados da base do governo. Tarcísio Motta (Psol-RJ) e Erika Kokay (PT-DF) expressaram preocupação com o que consideraram uma possível redução da atuação da Defensoria Pública, argumentando que o projeto poderia terceirizar essa responsabilidade. Kokay também questionou a elaboração do cadastro de advogados pela OAB.

Em resposta, a autora do projeto, Soraya Santos, esclareceu que a nomeação de advogados dativos pela OAB só ocorrerá na ausência de defensores públicos, visando garantir que a vítima não fique desassistida. A deputada ressaltou que a vítima não pode ser prejudicada pela falta de concursos públicos para defensores em determinados estados.

Fontes de Financiamento e Impacto Social

Para a viabilização da Pnajov, o projeto prevê o uso de recursos do orçamento público, contribuições de pessoas jurídicas de direito privado através de convênios, e outras fontes legais, incluindo fundos de acesso à justiça e cooperação internacional. A relatora, Greyce Elias, destacou que a política é “irrepreensível e urgente”, impedindo que o Estado deixe vítimas desamparadas e oferecendo cobertura jurídica imediata em áreas com pouca ou nenhuma presença da Defensoria Pública.

A deputada Greyce Elias enfatizou que a política nacional realinha o ordenamento jurídico brasileiro aos padrões internacionais de direitos humanos, assegurando um equilíbrio na balança da justiça para a proteção de quem teve seus direitos violados.