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Câmara aprova redução de impostos para resseguradoras nacionais, buscando reequilibrar concorrência com empresas estrangeiras

agosto 14, 2026

Câmara dos Deputados aprova pacote de benefícios fiscais para resseguradoras nacionais

Em uma decisão significativa para o setor financeiro, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (13), a redução da carga tributária incidente sobre as resseguradoras nacionais. A proposta, que agora segue para apreciação do Senado Federal, busca reequilibrar a competição com empresas estrangeiras que atuam no mercado brasileiro.

O objetivo principal da medida é fortalecer a atuação das empresas brasileiras no mercado de resseguros, um segmento crucial para a estabilidade do setor de seguros, funcionando como um “seguro do seguro” para operações de grande vulto ou com potencial de perdas elevadas.

Segundo informações divulgadas pela Agência Câmara, a aprovação representa um passo importante para as resseguradoras locais, que têm enfrentado dificuldades competitivas desde 2019. A proposta agora aguarda o aval dos senadores para se tornar lei.

Detalhes da Redução Tributária

Entre as principais alterações propostas, destaca-se a redução da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para as resseguradoras locais. Atualmente em 15%, a alíquota cairá para 9%. Essa diminuição visa aliviar a carga financeira dessas empresas.

Além disso, o texto aprovado elimina o limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, uma condição que vinha limitando a capacidade de planejamento tributário das empresas nacionais. Outro ponto relevante é o afastamento da incidência do adicional do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), inclusive nas modalidades de pagamento mensal por estimativa.

Contexto e Justificativas da Proposta

O deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), autor do Projeto de Lei 3540/26, explicou que a perda de mercado das resseguradoras nacionais a partir de 2019 ocorreu após a retirada de restrições à cessão de riscos para resseguradores estrangeiros. Ele argumenta que as empresas internacionais não recolhem tributos como CSLL e IRPJ no Brasil nos mesmos moldes das empresas locais.

A proposta, segundo o autor, foi discutida com o governo e tem o intuito de equalizar a concorrência, e não de gerar prejuízos. A justificativa é que, ao equiparar as condições, as empresas nacionais poderão recuperar sua participação de mercado, ou mesmo atrair investimentos estrangeiros para a constituição de subsidiárias locais que pagariam impostos no país.

Debate sobre Implicações Financeiras

Durante a votação, o deputado Airton Faleiro (PT-PA) expressou preocupação com as implicações financeiras da medida, alertando que o governo se posicionava contra o projeto por questões de responsabilidade fiscal. Ele questionou a oportunidade de criar um precedente como esse.

Em contrapartida, o deputado Isnaldo Bulhões Jr. reiterou que a proposta visa apenas a equidade competitiva. Ele defendeu que não haveria prejuízos e que a medida apenas nivelaria o campo de atuação entre as empresas nacionais e estrangeiras.

Potencial de Crescimento da Arrecadação

O relator da proposta, Fernando Monteiro (PSD-PE), apresentou uma perspectiva otimista sobre a arrecadação. Ele estima que, mesmo com a redução da carga tributária, a arrecadação combinada de IRPJ e CSLL pelas resseguradoras nacionais, que alcançou cerca de R$ 514 milhões em 2024, poderá crescer. Isso se daria pela recuperação da participação de mercado das empresas locais ou pela atração de novas subsidiárias de empresas estrangeiras ao Brasil.

A aprovação desta medida pela Câmara representa um marco para o setor de resseguros no Brasil, com expectativas de maior dinamismo e competitividade no mercado nacional.