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Eleições 2026: Mulheres Lideram Eleitorado com 52,8%, Voto Idoso Cresce e Jovens e Pobres Têm Mais Abstenção

agosto 26, 2026

Eleições 2026: Mulheres Lideram Eleitorado com 52,8%, Voto Idoso Cresce e Jovens e Pobres Têm Mais Abstenção

O Brasil se prepara para as Eleições 2026 com um eleitorado composto por mais de 158,7 milhões de cidadãos aptos a votar. Os dados mais recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam para um cenário demográfico em transformação, com as mulheres consolidando sua maioria e a população idosa mostrando um crescimento expressivo na participação eleitoral.

Ao mesmo tempo, observa-se uma queda na participação dos jovens e um desafio persistente na inclusão de eleitores de baixa renda, que registram taxas de abstenção mais elevadas. Essa dinâmica aponta para a necessidade de estratégias que alcancem todos os segmentos da sociedade e fortaleçam a democracia representativa.

A análise dessas tendências é crucial para entender o comportamento do eleitorado e orientar as campanhas políticas futuras. Conforme divulgado pelo TSE, as projeções para as próximas eleições indicam um panorama complexo, mas com oportunidades para o aprimoramento da participação cívica.

Mulheres Mantêm a Liderança e Eleitorado Idoso se Expande

As mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro para as Eleições 2026, somando 52,84% dos mais de 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar. Este percentual representa um leve aumento em relação às eleições de 2022, demonstrando a força feminina no processo democrático.

Em relação à faixa etária, o grupo de 40 a 44 anos concentra o maior número de eleitores individuais, representando 10,08% do total. Contudo, um dado notável é o aumento significativo de brasileiros na faixa etária com mais de 60 anos nos últimos quatro anos. Mais de 4,5 milhões de novos eleitores ingressaram neste grupo etário, elevando a participação dos idosos de 21,02% para 23,60% do eleitorado.

O cientista político Carlos Oliveira destaca que o interesse por temas coletivos tende a se manter com o avanço da idade. “Pessoas que já tinham muito interesse por política, pessoas que se viam representadas, continuam tentando participar da democracia por meio do voto”, explica.

Jovens e Eleitores de Baixa Renda Enfrentam Barreiras para Votar

Em contrapartida, o eleitorado jovem apresenta um cenário de menor participação. Entre os jovens de 21 a 34 anos, a proporção caiu de 28,01% para 25,85%. No grupo de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, houve uma retração de 14,52% nos títulos emitidos.

Carlos Oliveira aponta o engajamento familiar como um fator determinante para a emissão do título na adolescência. “Se a família e os colegas são engajados politicamente, a probabilidade de o jovem tirar o título e votar é maior”, afirma.

A renda também é um fator crucial. Segundo dados demográficos, 47% do eleitorado recebe até dois salários mínimos, com maior concentração nas regiões Nordeste e periferias urbanas. A coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Pública Comparada da UFRJ, Mayra Goulart, ressalta que a vulnerabilidade socioeconômica afasta o cidadão das urnas.

“Observa-se no eleitorado mais pobre uma maior probabilidade de abstenção. Com isso, essa parcela acaba sub-representada porque exerce menos o direito ao voto por barreiras materiais: não tem com quem deixar os filhos, mora longe da seção ou precisa trabalhar no dia. Essa é uma questão central para o poder público enfrentar”, diz Goulart.

Diversidade e Inclusão Ganham Espaço no Cadastro Eleitoral

O aprimoramento da autodeclaração no cadastro eleitoral resultou em um aumento expressivo nos dados de identidade étnico-racial. O número de eleitores pardos saltou de 8,5 milhões para 16,9 milhões, brancos de 5,29 milhões para 11,69 milhões, e pretos de 1,8 milhão para 3,58 milhões.

Houve também um crescimento notável entre indígenas, com alta de 84,47%, e amarelos. O contingente de pessoas com deficiência no cadastro eleitoral também bateu recorde, totalizando 1,45 milhão de eleitores, o dobro do observado nos últimos oito anos.

A legislação eleitoral e as normas do TSE garantem ainda o direito ao voto a pessoas presas provisoriamente e a adolescentes internados em cumprimento de medida socioeducativa, buscando ampliar a inclusão no processo democrático.