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Debate sobre Redução da Maioridade Penal Avança: Comissão da Câmara Aprova 33 Audiências Públicas para Discutir Mudança na Lei

setembro 3, 2026

Comissão Especial da Câmara dos Deputados avança nas discussões sobre a redução da maioridade penal, aprovando 33 requerimentos para audiências públicas. O tema, que divide opiniões entre deputados governistas e da oposição, busca debater a possibilidade de alterar a idade em que jovens podem ser responsabilizados criminalmente.

A comissão especial da Câmara dos Deputados, responsável por analisar propostas de emenda à Constituição (PEC) que visam reduzir a maioridade penal, deu um passo significativo em suas atividades. Durante a reunião realizada nesta terça-feira (1º), foram aprovados 33 requerimentos que destinam-se à realização de audiências públicas.

Esses encontros servirão como palco para um debate aprofundado sobre a complexa questão da responsabilidade penal de adolescentes, permitindo que diferentes setores da sociedade e especialistas apresentem seus pontos de vista e contribuam para a formação de opinião dos parlamentares. O objetivo é coletar subsídios para a tomada de decisão sobre o futuro da legislação.

O tema da redução da maioridade penal é sensível e gera intensos debates no país, refletindo diferentes visões sobre segurança pública, justiça e os direitos da juventude. A decisão final sobre a proposta, que já esteve em pauta em outras ocasiões, dependerá do consenso construído ao longo desses debates. Conforme informação divulgada pela fonte do conteúdo, a comissão agora se prepara para ouvir diversos atores sociais e políticos sobre o assunto.

Argumentos a Favor: Responsabilização e Voto

Deputados favoráveis à redução da maioridade penal, como Guilherme Derrite (PP-SP), argumentam que é uma contradição um jovem de 16 ou 17 anos ter o direito de votar e decidir o futuro da nação, mas não ser plenamente responsabilizado por seus atos criminosos. Ele ressalta que a proposta de redução, que visa diminuir a idade de 18 para 16 anos, já havia sido retirada da PEC da Segurança Pública, aprovada anteriormente pela Câmara e enviada ao Senado.

“Nós temos um país em que um indivíduo de 16, 17 anos pode decidir o futuro da nação por meio do voto, mas não pode ser responsabilizado pelos seus atos. É uma inversão de valores que precisa acabar”, declarou Derrite, enfatizando a necessidade de equiparação entre os direitos e deveres civis.

Oposição e Críticas à Proposta

Por outro lado, parlamentares como Talíria Petrone (Psol-RJ) manifestam forte oposição à ideia de reduzir a maioridade penal. Ela argumenta que tal medida não representa uma solução efetiva para os problemas de segurança pública enfrentados pelo Brasil, podendo, inclusive, agravar a situação ao invés de resolvê-la. A deputada defende que o foco deveria ser em políticas sociais e de prevenção.

“Diminuir a maioridade penal não vai resolver o grave problema de segurança pública que temos no nosso país”, apontou Petrone, defendendo abordagens alternativas para lidar com a criminalidade juvenil.

Avaliação Técnica e Foco na Prevenção

O deputado Alberto Fraga (PL-DF), defensor da redução, sugere a implementação de avaliações técnicas para determinar a capacidade de discernimento do adolescente infrator. Ele propõe a criação de uma junta de especialistas, incluindo psicólogos, pedagogos e promotores da infância, para analisar se o jovem possuía plena consciência de seus atos. Caso comprovado o discernimento, ele defenderia a responsabilização penal.

Em contrapartida, Tarcísio Motta (Psol-RJ) defende que o foco da legislação deve ser na prevenção, e não no endurecimento das penas. Ele argumenta que o aumento da repressão, sem investimentos em educação e oportunidades, não garante melhorias na segurança pública e pode levar a um ciclo vicioso de violência. “O remédio que está sendo adotado não está dando resultado, e a gente continua aumentando as penas mesmo sem reduzir o problema da violência”, comentou.

Referendo Popular e Cronograma da Comissão

O relator da comissão, deputado Mendonça Filho (PL-PE), levantou a possibilidade de submeter o tema a um referendo popular, comparando a situação brasileira com a de outros países democráticos. Ele sugere que a consulta pública ocorra em conjunto com as eleições municipais de 2028, permitindo que a sociedade se manifeste diretamente sobre a redução da maioridade penal. “Esse é um tema que há quem diga até que exige um debate sobre constitucionalidade. Por que não levar um referendo popular junto com as eleições municipais de 2028?”, questionou.

O presidente da comissão especial, Aluisio Mendes (Republicanos-MA), expressou otimismo quanto ao cronograma, informando que espera concluir os trabalhos da comissão ainda em 2026. “A sociedade está clamando por uma solução, e nós vamos dar uma resposta com certeza ainda neste ano”, afirmou Mendes, indicando a urgência em encontrar um desfecho para o debate.