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Comissão da Câmara aprova medidas cruciais para garantir água em secas, veja detalhes da nova lei do saneamento

março 5, 2026

Comissão da Câmara aprova medidas cruciais para garantir água em secas, veja detalhes da nova lei do saneamento

A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados deu um passo importante ao aprovar um projeto de lei que visa assegurar o abastecimento de água em áreas sujeitas a secas frequentes. A proposta, que altera a Lei do Saneamento Básico, introduz instrumentos específicos para lidar com a escassez hídrica, um desafio crescente em diversas regiões do país.

O texto aprovado busca definir claramente o que são consideradas regiões com risco de seca, estabelecendo critérios climáticos, geográficos e hidrológicos. A medida tem como objetivo principal criar um arcabouço legal que permita ações preventivas e corretivas mais eficazes, garantindo o acesso à água para consumo humano e atividades produtivas.

A iniciativa surge em um momento em que os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais evidentes, com períodos de estiagem mais longos e intensos impactando o cotidiano de milhões de brasileiros. A aprovação deste projeto representa um avanço na busca por soluções sustentáveis para a gestão hídrica no Brasil, conforme informação divulgada pela Agência Câmara Notícias.

Regiões com risco de seca terão planos de saneamento específicos

De acordo com o projeto de lei, os planos de saneamento básico em regiões identificadas com risco de seca deverão obrigatoriamente incluir estudos detalhados sobre a disponibilidade de água. Além disso, será exigida a apresentação de medidas concretas para garantir o abastecimento durante os períodos de estiagem, assegurando que a população e as atividades econômicas não sejam severamente prejudicadas.

A definição de quais áreas se enquadram nesse critério de risco ficará a cargo de uma articulação entre o governo federal, estados e municípios. Essa colaboração interfederativa é vista como essencial para uma identificação precisa e para a implementação de políticas públicas mais assertivas e adaptadas à realidade local.

Recursos federais poderão ser usados para manter serviços em casos de seca

Outro ponto relevante da proposta é a permissão para a aplicação de recursos federais destinados à manutenção dos serviços de saneamento em situações de falta de água causada pela seca. Atualmente, a lei veda o uso de verbas federais na operação e manutenção de serviços que não sejam administrados por órgãos federais, o que pode criar entraves em momentos de crise hídrica.

Essa flexibilização visa garantir a continuidade do fornecimento de água, mesmo em circunstâncias adversas, evitando que a população fique desassistida. A medida é encarada como um reforço importante para a resiliência dos sistemas de saneamento em face de eventos climáticos extremos.

Autonomia local é defendida para definição de prioridades no saneamento

A relatora do projeto, deputada Luiza Erundina (Psol-SP), apresentou um substitutivo que retirou do texto original a prioridade automática para ações contra a seca em detrimento de outros serviços de saneamento, como esgoto e limpeza urbana. Erundina defende que a definição de prioridades deve ser uma decisão tomada localmente, considerando as particularidades de cada município.

A deputada argumenta que a legislação atual já prevê a ordenação de prioridades nos contratos e planos de saneamento, e que a autonomia local é fundamental para uma gestão pública eficiente e adaptada à realidade. Ela ressalta que a imposição de prioridades automáticas poderia diminuir a flexibilidade e a capacidade de adaptação das políticas de saneamento.

Próximos passos do projeto de lei

O projeto de lei, que teve origem no PL 1879/25, do deputado Luiz Couto (PT-PB), agora seguirá para análise em caráter conclusivo nas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que se torne lei, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.