
CPMI do INSS foca em quebra de sigilos e depoimentos cruciais para investigação de fraudes
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS se reúne nesta quinta-feira, 5 de outubro, com uma pauta repleta de decisões importantes para o avanço das investigações sobre fraudes contra a Previdência Social.
Entre os pontos centrais, destacam-se a votação de 18 requerimentos, incluindo pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal de empresas como a J&F Participações, do grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
A comissão também colherá depoimentos de peso, como o do presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, e do advogado Cecílio Galvão. As informações são da Agência Senado.
J&F sob escrutínio: Repasses milionários em foco
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), apresentou requerimentos que pedem a quebra de sigilo bancário e fiscal da J&F Participações (REQ 3.138/2026) e a convocação de seu presidente (REQ 3.139/2026). Documentos obtidos pela comissão indicam que empresas ligadas a Danilo Berndt Trento, investigado por fraudes contra aposentados, receberam mais de R$ 36,5 milhões da J&F.
A pauta inclui ainda pedidos de quebra de sigilo para Carolina Cardoso Trento, esposa de Danilo Trento (REQ 3.133/2026), e para Letícia Caetano dos Reis (REQ 3.000/2026). Segundo o deputado Rogério Correa (PT-MG), Letícia seria administradora da empresa Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia e irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado como sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso por envolvimento nas fraudes.
Conexão com Banco Master e novas prisões
A investigação também busca possíveis conexões entre as fraudes do INSS e o caso do Banco Master. Deputados solicitaram a convocação do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (REQ 2.755/2025), e de Fabiano Zettel (REQ 2.681/2025 e REQ 3.044/2026), cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Vorcaro e Zettel foram presos novamente nesta quinta-feira em uma nova operação da Polícia Federal que apura as fraudes envolvendo o Banco Master, demonstrando a gravidade e a continuidade das investigações.
Depoimentos chave na segunda fase da sessão
Na segunda parte da reunião, a CPMI ouvirá o presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, e o advogado Cecílio Galvão. As convocações atendem a requerimentos de Alfredo Gaspar e dos senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Carlos Viana (PSD-MG).
A Dataprev tem sido alvo de questionamentos sobre falhas operacionais e vulnerabilidades em segurança cibernética. Já Cecílio Galvão é citado em reportagens por supostamente ter recebido cerca de R$ 4 milhões de associações de aposentados investigadas por descontos indevidos em benefícios do INSS, atuando como intermediador para cobranças diretas na folha dos beneficiários.
Outras medidas em pauta
A comissão também pode votar pedidos de representação por prisão preventiva de Tonia Andrea Inocentini Galleti e Milton Baptista de Souza Filho, ambos ligados ao Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical (Sindnapi).
A sessão promete ser um marco na investigação, com a expectativa de que os depoimentos e as decisões sobre quebras de sigilo forneçam novas pistas e evidências para desmantelar as redes de fraudes contra o INSS.