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Projeto de Lei Proíbe Plataformas Digitais de Manipular Usuários com Design Enganoso e Rolagem Infinita

outubro 23, 2026

Novas Regras para Plataformas Digitais: Fim da Manipulação e do Uso Compulsivo

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados, o PL 1421/26, promete mudar a forma como as plataformas de internet interagem com seus usuários. A proposta busca proibir explicitamente o uso de recursos de design e algoritmos que prendam a atenção de maneira artificial, opaca ou abusiva, protegendo os internautas de serem levados a um uso compulsivo.

A iniciativa visa alterar o Marco Civil da Internet, estabelecendo regras claras para a governança algorítmica e responsabilizando os provedores por práticas consideradas prejudiciais. O objetivo é criar um ambiente digital mais seguro e transparente para todos, especialmente para os públicos mais vulneráveis.

Entre as práticas que seriam vetadas estão mecanismos como a rolagem infinita, notificações constantes e a reprodução automática de conteúdos, que são projetados para manter o usuário engajado por tempo excessivo. Essas medidas, segundo a proposta, exploram vulnerabilidades e podem levar ao consumo compulsivo. Conforme informação divulgada pela Agência Câmara, o texto busca coibir o uso opaco de dados pessoais para distorcer o debate público e processos eleitorais.

O Que o Projeto de Lei Proíbe?

O Projeto de Lei 1421/26 detalha uma série de práticas que as plataformas digitais não poderão mais utilizar. Isso inclui o uso de “dark patterns”, que são padrões de interface enganosos projetados para dificultar a saída do usuário de uma plataforma ou a alteração de suas preferências. O objetivo é garantir que o usuário tenha controle total sobre sua experiência online.

A proposta também aborda a questão do uso de dados pessoais. Fica proibido o emprego de informações dos usuários de forma opaca com o intuito de distorcer discussões públicas e influenciar eleições. A intenção é proteger a integridade do debate democrático e a autonomia individual.

Proteção Especial para Crianças e Adolescentes

Os dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil indicam que crianças e adolescentes são os mais afetados por essas práticas de design e algoritmos manipuladores. O projeto de lei, ao proibir mecanismos de indução ao uso compulsivo, busca oferecer uma camada extra de proteção para este público, que é naturalmente mais suscetível a influências e a padrões de consumo não saudáveis.

A autora da proposta, deputada Natália Bonavides (PT-RN), ressalta que o foco é vedar o “uso abusivo, opaco e economicamente orientado” desses recursos. Ela explica que a intenção é evitar a retenção artificial de atenção, a exploração de vulnerabilidades, o microdirecionamento não transparente e a amplificação de riscos sociais, promovendo um ambiente digital mais ético.

Sanções e Próximos Passos do Projeto

O descumprimento das novas regras pode acarretar sanções severas para os provedores de plataformas digitais. As penalidades incluem desde advertência e bloqueio de funcionalidades irregulares até multas de até 2% do faturamento no Brasil. Essa multa, no entanto, tem um teto de R$ 50 milhões por infração, garantindo que as sanções sejam proporcionais, mas significativas.

O projeto agora seguirá para análise em caráter conclusivo nas comissões de Comunicação, de Defesa do Consumidor, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso seja aprovado por estas comissões, o texto ainda precisará ser votado e aprovado pelo Senado para que possa se tornar lei, impactando diretamente a experiência de milhões de brasileiros online.