
Observatório Nacional da Mulher na Política celebra 5 anos de conquistas e consolidação como referência em pesquisa
O Observatório Nacional da Mulher na Política, iniciativa da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, comemora cinco anos de atuação ininterrupta no monitoramento de indicadores e na centralização de pesquisas sobre a participação feminina no cenário político brasileiro. A data foi marcada por um seminário que reuniu especialistas e parceiros para celebrar os avanços e apresentar o vasto acervo de estudos produzidos.
Desde sua criação em 2021, o observatório tem se dedicado a um trabalho em rede, focando em três eixos principais: a **violência política contra a mulher**, a **atuação parlamentar** e a **atuação partidária e processos eleitorais**. Essa colaboração, que envolve universidades, órgãos públicos, instituições de pesquisa, organismos internacionais e entidades da sociedade civil, resultou em mais de 30 publicações, incluindo notas técnicas, relatórios científicos e cartilhas.
O seminário serviu como vitrine para parte desse acervo, destacando a importância do observatório como ferramenta para a compreensão e o combate às desigualdades de gênero na política. Conforme informações divulgadas pela Agência Câmara, a coordenadora-geral, deputada Iza Arruda (MDB-PE), ressaltou o esforço coletivo e a relevância das parcerias estabelecidas.
Um Acervo Robusto para a Democracia
A ex-reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG) e coordenadora do projeto “De Olho nas Urnas”, Angelita Pereira de Lima, enfatizou o papel do observatório como uma **referência essencial** para os temas de mulheres na política, igualdade de gênero e combate à violência política. Ela destacou que a iniciativa é uma contribuição fundamental para a superação de barreiras históricas.
“O observatório, nesses cinco anos, já é uma referência para os temas mulheres na política, igualdade de gênero e combate à violência política. É uma grande contribuição para a superação das barreiras e é uma ferramenta fundamental para acompanhar os instrumentos que a nossa democracia já foi capaz de criar para a superação da desigualdade de gênero na política”, afirmou Lima.
Combate à Violência e Fortalecimento da Representatividade
Durante o evento, foram apresentados resultados de projetos como o “Monitor da Violência Política de Gênero e Raça”, dirigido por Michelle Ferreti, do Instituto Alziras. Este projeto oferece um **raio-x detalhado da situação**, propondo recomendações para aprimorar políticas públicas, prevenir a violência, reparar vítimas, garantir acesso à Justiça e responsabilizar agressores.
Outro projeto de destaque foi o “Mapeamento da Atuação Parlamentar das Deputadas Estaduais Brasileiras”, coordenado pela professora Danusa Marques, da Universidade de Brasília. A Rede A Ponte, representada por Amanda de Albuquerque, apresentou o apoio a mais de 400 vereadoras e deputadas estaduais de primeiro mandato, muitas delas negras e ainda subrepresentadas nos parlamentos. O projeto “Maré de PLs” busca superar tabus e definir estratégias para a aprovação de leis de interesse feminino.
“A ‘Maré de PLs’ surgiu muito de uma vontade de avançar uma pauta que estava travada aqui no Congresso, por acaso, era a questão de dignidade menstrual. Foi um piloto muito orgânico. Tipo: ‘cara, esse assunto está travado no Congresso porque é um tabu, como é que a gente consegue mobilizar isso nos territórios?’ De fato, a gente conseguiu”, comemorou Albuquerque.
Parcerias Estratégicas e Futuro da Participação Feminina
O Ministério das Mulheres e a delegação da União Europeia no Brasil também marcaram presença, destacando suas parcerias focadas na **superação da subrepresentatividade feminina** em espaços de poder. Ana Almeida, gerente de projetos da União Europeia, citou a campanha “Políticas Seguras nas Redes” e ressaltou que garantir a presença política das mulheres vai além de aumentar o número de eleitas, visando assegurar sua plena participação na vida pública em igualdade de condições.
A coordenadora de pesquisa do Observatório Nacional da Mulher na Política, Ana Cláudia Oliveira, complementou a visão, explicando que o observatório atua diretamente nas reformas eleitorais e políticas que tramitam na Câmara, fornecendo dados e pesquisas para embasar alterações legislativas. O histórico completo e o acervo de pesquisas do Observatório Nacional da Mulher na Política estão disponíveis no site camara.leg.br/onmp.