
Eleições 2026: Menos Candidatos à Câmara dos Deputados e Novos Perfils Marcam Disputa Eleitoral
O cenário eleitoral para a Câmara dos Deputados em 2026 apresenta uma redução significativa no número de candidatos em comparação com as eleições de 2022. O prazo final para o registro de candidaturas, encerrado neste sábado (15), revelou um total de 7.620 pessoas inscritas para disputar uma vaga na Câmara Federal, um número inferior aos 9.477 registrados em 2022.
Essa diminuição também se reflete na quantidade de deputados federais que buscam a reeleição. A Justiça Eleitoral ainda analisará e aprovará os registros, o que pode gerar pequenas alterações nos números finais. Em 2022, 1.153 candidaturas foram consideradas inaptas para concorrer.
A concorrência varia consideravelmente entre os estados, com uma média atual de quase 15 candidatos por vaga. O Distrito Federal lidera com 21 postulantes por cadeira, enquanto o Amapá apresenta a menor disputa, com 11 candidatos por vaga. Conforme informações divulgadas, esses dados ainda podem ser atualizados.
Mudanças no Perfil dos Candidatos em 2026
O perfil dos candidatos à Câmara dos Deputados também passou por transformações notáveis para as eleições de 2026. A participação feminina, que em 2022 representou 35% do total, subiu para 37% neste ano. Esse aumento é impulsionado por medidas como a Emenda Constitucional 117, que reforçou cotas e a destinação de recursos e tempo de propaganda para candidaturas femininas.
A proporção de candidatos com ensino superior completo também cresceu, saindo de 68% em 2022 para 71% em 2026. Além disso, houve um aumento expressivo no número de candidatos indígenas, saltando de 50 em 2022 para 75 nesta eleição. Candidatos transgênero também registraram um crescimento, passando de 19 para 24.
Menos Deputados Buscam a Reeleição, mas Migram para Outros Cargos
Dos 513 deputados federais em exercício, 437 concorrerão à reeleição em 2026, um número menor que os 448 que buscaram a renovação do mandato em 2022. Uma das razões para essa queda é o aumento de deputados que decidiram disputar vagas no Senado Federal, passando de 21 para 42. Outros 11 deputados estão buscando uma cadeira em assembleias legislativas estaduais.
Há também casos de deputados federais concorrendo a cargos executivos, como 5 para governador, 1 para vice-presidente, 1 para vice-governador e 3 para 1º suplente de senador. Um total de 13 deputados atuais optaram por não concorrer a nenhum cargo eletivo nesta eleição.
Regras Eleitorais e Fusões Partidárias Reduzem Número de Candidaturas
A redução no número total de candidatos para a Câmara dos Deputados em 2026 está diretamente ligada a mudanças recentes nas regras eleitorais. O fim das coligações partidárias e a implementação da cláusula de desempenho foram fatores determinantes.
Uma alteração na Lei das Eleições em 2021 limitou o número de candidatos por partido a 100% das vagas em disputa no estado, mais uma candidatura. Essa regra afeta a quantidade de postulantes que cada legenda pode apresentar, variando conforme o tamanho do colégio eleitoral de cada unidade da federação.
A cláusula de desempenho, que exige um percentual mínimo de votos válidos ou de deputados eleitos para que partidos tenham acesso a recursos e funcionamento parlamentar, também incentivou fusões e incorporações. Partidos como Podemos, Patriota, PCdoB, Solidariedade, Democratas, PSL, PHS, PSC, PRP, PPL, PROS e PTB se reorganizaram, resultando em legendas como União Brasil e PRD.
Cinco federações partidárias foram formadas para cumprir as exigências da cláusula de desempenho, unindo legendas como PT-PCdoB-PV, PSDB-Cidadania, Psol-Rede, PRD-Solidariedade e União-PP.
Candidaturas Femininas Superam Cota Mínima com Apoio Legal
As mulheres representam 37% das candidaturas à Câmara dos Deputados em 2026, superando a marca de 35% registrada em 2022 e atendendo à cota mínima de 30% estabelecida por lei. Essa evolução é fruto de medidas legais que reforçam a participação feminina na política.
A Emenda Constitucional 117, de 2022, determina que os partidos destinem às candidaturas femininas recursos proporcionais ao número de mulheres postulantes, com um piso de 30%. Da mesma forma, o tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV deve reservar, no mínimo, 30% para as candidatas.
Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018 também estabeleceu que o financiamento de campanha deve ser distribuído de forma proporcional entre homens e mulheres. Antes dessas medidas, a participação feminina era significativamente menor, representando apenas 11% dos candidatos a deputado federal em 2002.
Proporcionalmente, o PCdoB lidera com 51% de candidaturas femininas, seguido por PCO (49%), Cidadania e UP (ambos com 48%). Partidos como Agir (33%), Avante, DC, Mobiliza, PL, PSDB e Solidariedade (todos com 34%) apresentaram o menor percentual de candidatas.