
Especialistas alertam para a iminente destruição do patrimônio cultural brasileiro devido às mudanças climáticas.
A relação entre a preservação do patrimônio cultural e as mudanças climáticas foi tema de um debate crucial na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados. Especialistas apresentaram um panorama alarmante sobre os riscos que o patrimônio cultural brasileiro corre, desde paisagens icônicas até o conhecimento ancestral de comunidades tradicionais.
Eventos climáticos extremos, como secas intensas, inundações e deslizamentos, já causam danos irreparáveis. O Pantanal, a Mata Atlântica e a Caatinga são alguns dos biomas que correm perigo iminente, evidenciando a necessidade urgente de políticas públicas integradas.
Conforme informações divulgadas pela Câmara dos Deputados, a discussão ressaltou a importância de abordagens que considerem o patrimônio não apenas como um bem a ser protegido, mas como uma fonte dinâmica de conhecimento e soluções para enfrentar os desafios contemporâneos.
Carta Brasileira propõe salvaguarda de saberes ancestrais frente ao clima
Um dos pontos centrais do debate foi a criação da **Carta Brasileira do Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas**. Este documento inovador reconhece o patrimônio como um elemento fundamental na formulação de estratégias de adaptação e mitigação.
Luana Campos, representante do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios – Brasil, celebrou a participação de mais de 300 instituições na elaboração da Carta. Ela enfatizou, contudo, que a conexão entre patrimônio e clima ainda não é clara para grande parte da sociedade.
“Nossa cultura nos ajuda a compreender que é possível, a partir do conhecimento tradicional, pensar o futuro melhor”, destacou Campos, ressaltando o valor do conhecimento de grupos que vivem em harmonia com o meio ambiente.
Colapso ecológico ameaça não só monumentos, mas também saberes de comunidades
O deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) reforçou a gravidade da situação, alertando que eventos climáticos extremos colocam em risco não apenas o patrimônio material e sítios arqueológicos, mas também a própria existência de acervos de saberes e conhecimentos essenciais para as comunidades locais.
“O colapso ecológico planetário é uma realidade. Nós estamos diante de mudanças climáticas cada vez mais intensas, cada vez mais frequentes”, afirmou Motta, sublinhando a urgência em encarar este desafio global e localmente.
Segundo ele, é fundamental que a Comissão de Cultura atue para proteger as sociedades mais vulneráveis, que sofrem desproporcionalmente com as mudanças climáticas, e desenvolva mecanismos de prevenção e mitigação eficazes.
Iphan e Ministério do Meio Ambiente unem esforços para proteger o patrimônio cultural
Deyvesson Gusmão, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), detalhou as ações internas e internacionais para a preservação do patrimônio. O Iphan busca inserir a discussão sobre patrimônio cultural em planos de proteção e defesa civil, visando ações de preservação, mitigação e adaptação.
Inamara Melo, representante do Ministério do Meio Ambiente, destacou a necessidade de integrar diversas políticas públicas. “Não dá para desenhar nenhuma política pública que não leve em conta este contexto da emergência climática que já enfrentamos no país”, ressaltou.
Ela apresentou dados alarmantes: **84,5% dos municípios brasileiros foram afetados por desastres climáticos na última década**, com significativos danos e prejuízos para a sociedade brasileira. Essa estatística evidencia a magnitude do problema e a urgência de ações coordenadas.
Financiamento e adaptação são chaves para a sustentabilidade do patrimônio cultural
Todos os participantes concordaram sobre a necessidade de **financiamento formal para ações de preservação ambiental**, mas também enfatizaram a importância crucial de **adaptações para garantir a mitigação dos efeitos climáticos e a sustentabilidade a longo prazo**.
A integração de políticas e o reconhecimento do patrimônio cultural como parte da solução para a crise climática são passos essenciais. A salvaguarda do patrimônio cultural e dos saberes tradicionais é fundamental para construirmos um futuro mais resiliente e sustentável.