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Autogestão Habitacional: Movimentos Populares Pedem Regras Claras para Facilitar Conquista da Casa Própria no Brasil

junho 19, 2026

Representantes de movimentos populares por moradia defenderam a aprovação do Projeto de Lei 20/20, que visa regulamentar o sistema de autogestão habitacional. A proposta, em análise na Câmara dos Deputados, propõe a propriedade coletiva de empreendimentos por meio de associações ou cooperativas, buscando superar barreiras burocráticas e facilitar o financiamento.

A audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados foi palco para que representantes de movimentos populares por moradia expusessem a importância da regulamentação da autogestão habitacional. Evaniza Lopes Rodrigues, da União Nacional por Moradia Popular, destacou que o modelo atual de financiamento apresenta excesso de burocracia, dificultando a concretização de projetos.

Rodrigues ressaltou que, embora o programa Minha Casa, Minha Vida já preveja financiamento para associações e cooperativas construírem seus próprios empreendimentos, apenas uma pequena parcela das moradias planejadas tem sido destinada a essa modalidade. Ela enfatizou que a autogestão vai além da execução, abrangendo a capacidade de tomada de decisões coletivas e a gestão comunitária, resultando em conjuntos habitacionais de alta qualidade construtiva e social.

O objetivo central do PL 20/20, conforme apontado pelos participantes da audiência, é democratizar o acesso à moradia. A proposta visa facilitar que famílias, que muitas vezes encontram dificuldades em obter financiamento individual, possam realizar o sonho da casa própria. Além disso, o modelo de autogestão habitacional é visto como um forte estímulo à organização e à permanência coletiva dos moradores, conforme divulgado pela Agência Câmara Notícias.

Propriedade Coletiva e Financiamento Integral

O Projeto de Lei em análise na Câmara, com relatoria do deputado Padre João (PT-MG), prevê explicitamente a propriedade coletiva dos empreendimentos habitacionais. Isso significa que a associação ou cooperativa será a detentora do imóvel, proporcionando segurança jurídica e fortalecendo o modelo de gestão comunitária.

Benedito Roberto Barbosa, coordenador da Central de Movimentos Populares, defende a necessidade de financiamento integral por parte do governo federal. Ele aponta que a legislação atual exige contrapartidas de prefeituras e governos estaduais, que nem sempre são cumpridas, inviabilizando a execução de projetos aprovados. A complementação financeira federal é vista como crucial para o sucesso da autogestão habitacional.

Inclusão da Compra de Terrenos em Ocupações

Padre João levantou a questão da viabilidade de incluir no projeto de lei a previsão de financiamento para a compra de terrenos em áreas de ocupação e conflito fundiário. Essa seria uma alternativa para regularizar situações de longa data, onde a demanda principal não é por recursos para a construção, mas sim para a aquisição do imóvel já ocupado.

A proposta foi vista como viável pelos representantes dos movimentos sociais. Benedito Barbosa sugeriu que, nesses casos, a posse da propriedade seja transferida para a associação ou cooperativa. Essa medida poderia resolver conflitos e garantir a moradia para famílias que já ocupam o espaço há anos, promovendo a segurança e a regularização fundiária.

O Déficit Habitacional no Brasil

Marcelo Toyansk Guimarães, coordenador nacional da Pastoral da Moradia e Favela, trouxe dados alarmantes sobre a situação habitacional no país. Ele informou que, atualmente, cerca de 6 milhões de famílias precisam de uma moradia no Brasil, e um número ainda maior, 26 milhões de pessoas, vivem em habitações inadequadas. Esses números reforçam a urgência de políticas habitacionais eficazes e acessíveis, como a autogestão habitacional.

A regulamentação da autogestão habitacional, através do PL 20/20, surge como uma ferramenta promissora para enfrentar o grave déficit habitacional brasileiro. Ao facilitar a propriedade coletiva e o acesso a financiamento, o projeto busca empoderar as comunidades e garantir o direito fundamental à moradia digna para milhares de famílias em todo o país.