
Câmara dos Deputados aprova dispensa de licitação para compra de hemoderivados pelo SUS, com foco na Hemobrás.
A Câmara dos Deputados deu um passo importante ao aprovar um projeto de lei que flexibiliza a compra de medicamentos hemoderivados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta, que agora segue para o Senado, permite que o SUS não precise realizar licitações para adquirir esses produtos caso a Hemobrás seja a única fabricante disponível.
A medida, de autoria do deputado Jorge Solla (PT-BA) e com substitutivo do deputado Merlong Solano (PT-PI), busca garantir a agilidade no fornecimento de itens essenciais. O relator, deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE), destacou que a proposta desburocratiza o processo de aquisição, argumentando que não se trata de competição comercial, mas sim de assegurar o acesso rápido a medicamentos derivados do plasma sanguíneo.
A Hemobrás, uma empresa estatal criada em 2004, é responsável pela produção desses medicamentos a partir do fracionamento do plasma. Com a inauguração de uma nova fábrica, a expectativa é que a empresa atenda integralmente à demanda do SUS até 2027, gerando uma economia estimada em até R$ 1 bilhão por ano para o Ministério da Saúde. A dispensa de licitação também se estende a medicamentos produzidos por biotecnologia. Conforme informação divulgada pela Agência Câmara Notícias, a proposta visa garantir a agilidade nas compras públicas de hemoderivados.
Hemobrás: Um Pilar na Produção de Medicamentos Derivados do Plasma
A Hemobrás desempenha um papel crucial no abastecimento do SUS com medicamentos vitais. A empresa produz substâncias como albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação, essenciais para o tratamento de pacientes com queimaduras graves, hemofilias, doenças raras, e para aqueles em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e submetidos a cirurgias de grande porte.
A expansão da capacidade produtiva da Hemobrás, impulsionada pela nova fábrica, é vista como um avanço significativo para a autossuficiência do Brasil na produção desses insumos. A meta é que, até 2027, a empresa consiga suprir toda a necessidade do SUS, reduzindo a dependência de importações e otimizando recursos públicos.
Debate sobre a Dispensa de Licitação e a Competitividade
Apesar dos benefícios apontados, a proposta gerou debate. O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) criticou a medida, lembrando que a Lei de Licitações já prevê a dispensa em casos de fornecedor único. Ele argumentou que a ausência de concorrência pode impedir a contratação de produtos de melhor qualidade ou mais baratos para o SUS e para os pacientes.
Por outro lado, os defensores da proposta, como o autor Jorge Solla, enfatizam que a natureza da produção de hemoderivados, restrita a uma empresa pública por determinação constitucional, justifica a inexigibilidade de licitação. A Constituição de 1988 buscou evitar a exploração da vulnerabilidade social, como a venda de sangue por pessoas em situação de pobreza antes de sua promulgação.
Impacto Econômico e Estratégico para o SUS
A expectativa de economia de até R$ 1 bilhão por ano para o Ministério da Saúde é um dos argumentos centrais a favor do projeto. Essa economia poderia ser redirecionada para outras áreas essenciais da saúde pública, fortalecendo o SUS como um todo.
A aprovação da dispensa de licitação para a compra de hemoderivados da Hemobrás representa uma mudança estratégica na forma como o SUS adquire esses medicamentos. A medida visa consolidar a capacidade nacional de produção e garantir o acesso ininterrupto a tratamentos complexos, ao mesmo tempo em que busca otimizar os gastos públicos em saúde.