
Especialistas debatem a transição energética no Brasil, destacando a urgência de superar contradições e investir em energias limpas.
Um seminário realizado na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9) reuniu especialistas para discutir os rumos da transição energética no Brasil. O foco principal foi a substituição gradual dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, que são grandes responsáveis pelo aquecimento global. A necessidade de metas anuais, prazos definidos e fundos para garantir a justiça climática foram pontos centrais defendidos pelos debatedores.
A discussão na Câmara dos Deputados, promovida pelas Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor, ressaltou os desafios ambientais e econômicos que o país enfrenta nesse processo. Especialistas apresentaram propostas concretas para uma transição energética mais justa e sustentável, alertando para os riscos de manter a dependência de fontes poluentes.
Conforme detalhado na fonte original, Carolina Marçal, coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, apontou a contradição na política energética brasileira. “Ao mesmo tempo em que o Brasil tem se colocado como um líder climático global e tem de fato exercido um papel importante nesse sentido, a gente vê uma expansão da indústria fóssil e de frentes de exploração inclusive em lugares emblemáticos, como na Margem Equatorial e em outras regiões”, destacou. A informação foi divulgada pela própria Câmara dos Deputados.
Impactos da Exploração de Petróleo e Alternativas Verdes
Ricardo Fuji, analista do WWF Brasil, apresentou dados alarmantes sobre os impactos da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. Segundo ele, essa atividade gera um elevado custo social e o risco de emissão de 446 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Ele exemplificou que o mesmo investimento de R$ 32 milhões destinado à exploração na região poderia ser direcionado para a instalação de parques e linhas de transmissão para gerar eletricidade renovável.
Geopolítica dos Combustíveis Fósseis e Subsídios
O cenário geopolítico atual também foi tema de debate, com destaque para os lucros da indústria petrolífera em meio a conflitos. A organização 350.org Brasil informou que, nos primeiros 50 dias da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a indústria petrolífera lucrou 150 bilhões de dólares. Essa instabilidade afeta diretamente o custo de vida de dois terços da população mundial, que vive em países importadores de petróleo.
João Cerqueira, diretor da 350.org Brasil, enfatizou que o setor de combustíveis fósseis é altamente subsidiado globalmente. Ele apelou aos parlamentares pela aprovação do Projeto de Lei 219/25, que visa proibir novos subsídios ao carvão, e pela rejeição do PL 1371/25, que permitiria a manutenção desses subsídios no Brasil até 2050.
Estratégia Governamental e Contas de Luz
O deputado Fernando Mineiro (PT-RN), um dos organizadores do debate, defendeu a estratégia do governo federal no enfrentamento da crise energética. “Foi a ação política, e não a ação de mercado, que posicionou o Brasil em um lugar melhor do que o de outras nações. Ou seja, não é o livre mercado que vai dar o tom de como nós vamos alcançar e fazer essa travessia para uma transição justa sobre a questão energética”, afirmou, conforme registrado pela Câmara dos Deputados.
A discussão também abordou os impactos da política energética na conta de luz dos brasileiros. Leandro Moreira, representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mencionou esforços para reduzir o peso dos subsídios tarifários, como o projeto da Lei de Responsabilidade Tarifária (PLP 100/26).
Planejamento Industrial e Novos Minerais Estratégicos
Bruna Targino, do Instituto E+ Transição Energética, ressaltou a importância de uma estratégia industrial de longo prazo para o país. Ela alertou para o risco de trocar a dependência de combustíveis fósseis por uma nova dependência tecnológica e material. “Nós não podemos sair da dependência fóssil para uma nova dependência tecnológica e material. Por isso, agendas como a de minerais críticos estratégicos precisam ser tratadas como agendas industriais, com agregação de valor e considerando rastreabilidade, circularidade e salvaguardando padrões socioambientais robustos”, defendeu Bruna Targino, segundo a fonte oficial.
A especialista enfatizou a necessidade de que a exploração de minerais essenciais para novas tecnologias seja feita com altos padrões socioambientais e considerando a rastreabilidade e a economia circular, evitando assim a criação de novas dependências insustentáveis.