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Maioridade Penal em Debate: Votação na CCJ sobre Redução para 16 Anos Adiadas para Quarta-feira

junho 10, 2026

Comissão adia votação de proposta que reduz maioridade penal para 16 anos

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou para esta quarta-feira (9) a votação de uma proposta que busca reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. O adiamento ocorreu devido ao início das votações no Plenário da Casa, impedindo a continuidade da discussão na comissão nesta terça-feira.

O tema tem gerado intensos debates entre os parlamentares, com argumentos que tocam em pontos cruciais como direitos individuais, segurança pública e a capacidade de discernimento dos jovens. A análise na CCJ é apenas o primeiro passo de um longo processo legislativo, que ainda exigirá aprovação em comissão especial e no Plenário em dois turnos.

O relator da proposta, deputado Coronel Assis (PL-MT), apresentou parecer favorável, argumentando que a medida não viola acordos internacionais nem cláusulas pétreas da Constituição. No entanto, a proposta enfrenta forte oposição de outros parlamentares que defendem a manutenção da maioridade penal em 18 anos. Conforme informação divulgada pela Agência Câmara Notícias, a discussão promete continuar acirrada.

Argumentos a favor e contra a redução da maioridade penal

Em contrapartida ao parecer favorável, a deputada Erika Kokay (PT-DF) expressou sua discordância, afirmando que a redução da maioridade penal fere direitos e garantias individuais, em especial a proteção estabelecida pela Constituição para crianças e adolescentes. Ela argumenta que submeter jovens de 16 anos ao sistema prisional desrespeita essa prioridade absoluta.

Por outro lado, o deputado Rodrigo de Castro (UNIAO-MG) defende que jovens de 16 anos possuem maturidade suficiente para serem responsabilizados criminalmente. Ele questiona a lógica de permitir que um jovem vote para presidente, mas não possa responder por seus atos criminosos como um adulto, ressaltando a incoerência percebida na legislação atual.

Estatísticas e o funcionamento do sistema socioeducativo

A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) contestou a ideia de que a redução da maioridade penal trará mais segurança. Ela aponta que a incidência de crimes graves cometidos por adolescentes é baixa e que o sistema socioeducativo, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tem se mostrado mais eficaz que o encarceramento para a responsabilização e reinserção social.

Atualmente, o ECA prevê medidas socioeducativas para jovens infratores, que podem incluir internação por, no máximo, três anos. Estas medidas visam à responsabilização e reinserção social de jovens entre 12 e 18 anos, variando desde advertência até internação em casos de crimes com violência ou grave reiteração.

A busca por soluções para a violência juvenil

A deputada Bia Kicis (PL-DF) reconheceu que a redução da maioridade penal não é a única solução para o problema da violência, mas a considera um caminho necessário para dar uma resposta à sociedade. Ela mencionou casos trágicos, como o de um jovem morto ao jogar basquete, como exemplos da angústia que a população sente diante da impunidade, mesmo quando o infrator é menor de idade.

A discussão sobre a maioridade penal é complexa e envolve diferentes visões sobre justiça, segurança e direitos humanos. A expectativa é que o debate na CCJ nesta quarta-feira traga mais clareza sobre os próximos passos dessa proposta que afeta diretamente o futuro de milhares de jovens brasileiros.