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Mercosul: Câmara Aprova Protocolo de Montevidéu para Defender Democracia e Aplicar Sanções em Crises

junho 3, 2026

Câmara dos Deputados avança com Protocolo de Montevidéu para fortalecer a democracia no Mercosul

Um passo importante foi dado pela Câmara dos Deputados ao aprovar o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 1290/13, que ratifica o Protocolo de Montevidéu sobre Compromisso com a Democracia no Mercosul, também conhecido como Ushuaia II. Este acordo estabelece um mecanismo para lidar com situações de ruptura ou ameaça à ordem democrática nos países-membros.

O texto, que agora segue para análise do Senado Federal, prevê a aplicação de sanções caso princípios democráticos sejam violados. A iniciativa visa reforçar a estabilidade política e a governança dentro do bloco econômico, que é composto por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai como membros permanentes.

Até o momento, apenas Argentina e Uruguai ratificaram formalmente o protocolo. Para que ele entre em vigor, é necessária a aprovação dos quatro países fundadores do Mercosul. A aprovação na Câmara representa um avanço significativo para a consolidação das bases democráticas do bloco, conforme informado pela Agência Câmara Notícias.

Como funciona o Protocolo de Montevidéu?

O Protocolo de Montevidéu estabelece que o presidente de um país-membro, ou seu Ministro das Relações Exteriores, poderá solicitar uma sessão especial do Conselho do Mercado Comum. Esta solicitação ocorre se houver a percepção de uma ruptura ou ameaça à ordem democrática, violação da ordem constitucional ou qualquer outra situação que comprometa o exercício legítimo do poder e os valores democráticos.

Durante essa sessão especial, que também é chamada de sessão ampliada, serão realizadas consultas imediatas com as autoridades do país em questão. O objetivo é promover, por meio de gestões diplomáticas, o restabelecimento da democracia e da ordem constitucional.

Medidas em caso de não resolução

Caso as consultas diplomáticas não surtam efeito ou se as autoridades constitucionais do país afetado forem impedidas de manter o diálogo, os presidentes dos demais países-membros do Mercosul tomarão uma decisão conjunta sobre as medidas a serem aplicadas. Essas ações deverão ser proporcionais à gravidade da situação, sem comprometer o bem-estar da população ou os direitos humanos no país em crise.

O protocolo lista uma série de medidas que podem ser adotadas, como a suspensão da participação do país nos órgãos do Mercosul. Outras ações incluem o fechamento total ou parcial de fronteiras, a suspensão ou limitação do comércio, do tráfego aéreo e marítimo, e das comunicações.

Além disso, o país em questão pode ter seus direitos e benefícios decorrentes do Tratado de Assunção e de outros acordos de integração suspensos. O protocolo também prevê a promoção da suspensão do país em outras organizações regionais e internacionais, bem como a adoção de sanções políticas e diplomáticas adicionais.

Objetivo é a estabilidade regional

A aprovação do Protocolo de Montevidéu pela Câmara dos Deputados reforça o compromisso do Brasil com a estabilidade democrática na América do Sul. O acordo busca criar um ambiente de maior segurança jurídica e política para todos os países do Mercosul, incentivando o respeito aos princípios democráticos e aos direitos fundamentais.

A ratificação completa do protocolo pelos quatro membros permanentes é um passo crucial para sua entrada em vigor e para a efetiva aplicação de suas disposições. A expectativa é que o Senado Federal também aprove o texto, consolidando o compromisso do bloco com a democracia.