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Alerta de Saúde: Vício em Apostas Online Dispara Atendimentos Psicológicos no SUS, Governo Busca Regulamentação Urgente

maio 29, 2026

Dependência de Apostas Online: Um Problema Crescente de Saúde Pública

O Ministério da Saúde revelou um dado alarmante: nos últimos cinco anos, houve um crescimento de quase 140% na procura por serviços de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS) devido a problemas de dependência de jogos online. Este aumento expressivo reflete uma nova realidade de saúde pública que exige atenção e medidas eficazes.

A situação é tão preocupante que o Ministério da Fazenda informou que mais de 500 mil pessoas solicitaram a exclusão de seus cadastros em plataformas de apostas por tempo indeterminado, muitas delas por terem perdido o controle sobre seus gastos. A ferramenta de autoexclusão, disponível na plataforma gov.br, tem sido cada vez mais utilizada como um último recurso.

Esses dados foram apresentados em uma audiência pública e destacam a urgência de ações. O Projeto de Lei 1808/26, que busca proibir as apostas online, ganha força entre parlamentares que veem a necessidade de frear a expansão desenfreada deste mercado. Conforme informação divulgada pelo Ministério da Saúde, o governo lançou uma plataforma de atendimento online no Meu SUS Digital para auxiliar pessoas com problemas relacionados a jogos, incluindo um autoteste para avaliar o nível de dependência.

A “Tempestade Perfeita” da Dependência em Jogos Online

Marcelo Dias, representante do Ministério da Saúde, descreveu o cenário como uma “tempestade perfeita”. Ele explicou que, embora tenha havido uma regulamentação das casas de apostas nos últimos anos, o período da pandemia da Covid-19 permitiu que elas operassem sem os devidos controles. Esse cenário, somado ao aumento da oferta de jogos, criou um ambiente propício para o desenvolvimento de dependências.

O ciclo vicioso é facilmente compreendido: o jogador começa com ganhos, o que o estimula a continuar. Quando as perdas se iniciam, um mecanismo comum em transtornos de jogos entra em ação, a tentativa de recuperar o dinheiro perdido. Essa busca incessante, no entanto, tende a aumentar a dívida e, consequentemente, a compulsão por jogar, agravando o problema.

Regulamentação e Combate a Práticas Abusivas

Leandro Lucchesi, representante do Ministério da Fazenda, destacou que a regulamentação busca coibir práticas abusivas, como publicidade que vende apostas como uma forma de renda extra. O governo está focado em detalhes como a identificação de mecanismos de design manipulativo nos jogos, que podem induzir o jogador a continuar apostando.

Um desses mecanismos é o do “quase ganho”, onde o apostador sente que esteve perto de vencer, incentivando-o a persistir. Outro é o “ganho negativo”, em que o sistema apresenta um resultado como vitória, mesmo com uma perda financeira, utilizando mensagens e efeitos de comemoração para mascarar a realidade. O Ministério da Fazenda também trabalha na classificação de jogos por risco e na coleta de dados sobre endividamento.

O Perfil do Apostador e o Impacto Financeiro

Dados do Ministério da Fazenda apontam que, em 2025, existiam pouco mais de 25 milhões de apostadores no Brasil, representando cerca de 18% da população adulta. O perfil predominante são homens entre 18 e 50 anos. No ano passado, esses apostadores perderam aproximadamente R$ 38 bilhões, com o volume total de apostas sendo quase dez vezes maior.

Metade dos apostadores gastou até R$ 50 em algum mês do ano passado, mas um grupo significativo, cerca de 20%, apostou em torno de R$ 1.000. Esses números evidenciam a magnitude do problema e o impacto financeiro e psicológico que o vício em apostas online pode causar na vida das pessoas e de suas famílias.