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Demarcação de Terras Quilombolas é Prioridade de Estado, Afirma Ministra da Igualdade Racial em Sessão Histórica na Câmara

maio 27, 2026

Ministra da Igualdade Racial Rachel Barros declara demarcação de terras quilombolas como prioridade de Estado em evento na Câmara dos Deputados. A declaração ressalta o compromisso do governo com a regularização fundiária e a segurança jurídica desses territórios, reconhecendo o papel fundamental dos quilombos na construção da história e identidade do Brasil.

Em uma sessão solene realizada na Câmara dos Deputados, a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, enfatizou que a **demarcação e regularização de terras quilombolas são uma prioridade de Estado**. O evento, que celebrou os 30 anos da Coordenação Nacional de Articulação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conac), reuniu autoridades, lideranças quilombolas e parlamentares para discutir o avanço das políticas para essas comunidades.

A ministra destacou o **papel histórico dos quilombos como centros de resistência e inclusão social**, sublinhando a **contribuição inestimável da população negra para o desenvolvimento do país**. Segundo Rachel Barros, os quilombos representam um modelo de sociedade construída em princípios de igualdade e cooperação, onde a tecnologia social e a inteligência coletiva floresceram.

As declarações foram feitas em um contexto de avanços significativos na política quilombola. Conforme informação divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o governo federal registrou um **recorde na assinatura de decretos de interesse social para a política quilombola**, totalizando 72 decretos. Além disso, foram realizados mais de 60 Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTs) e editadas 92 portarias de reconhecimento.

Avanços e Desafios na Regularização Fundiária

O secretário-executivo do MDA, Eric Moura, apresentou dados que demonstram o esforço do Executivo em garantir a **segurança jurídica dos territórios quilombolas**. Ele ressaltou que os RTs são estudos essenciais que definem as fronteiras exatas das comunidades, enquanto as portarias oficializam esses limites, abrindo caminho para a titulação definitiva da terra. Esses números representam um marco na história das políticas públicas voltadas para as comunidades quilombolas.

A Urgência da Demarcação e o Risco nas Áreas Não Regularizadas

Apesar dos avanços, a coordenadora-executiva da Conac, Rejane Maria de Oliveira, alertou para os **riscos iminentes enfrentados pelas comunidades em áreas ainda não demarcadas**. Ela enfatizou que a demarcação é uma **reparação histórica fundamental**, pois muitas pessoas estão sob ameaça e sofrem com a perda de seus territórios. A luta pela terra é uma questão de sobrevivência e justiça para o povo quilombola.

O secretário de políticas para quilombolas do Ministério da Igualdade Racial, Ronaldo Santos, reiterou o compromisso de **acabar com a fila de demarcações pendentes**. Ele lembrou que a Constituição Federal garante o direito à posse da terra para essas comunidades, e o Estado tem o dever de entregar os documentos oficiais. A superação da demanda por titulação quilombola é vista como essencial para cumprir as disposições constitucionais transitórias.

Conexão com Pautas Trabalhistas e Homenagens Emocionadas

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), autora do requerimento para a sessão solene, traçou um paralelo entre a exploração histórica da população negra e as atuais pautas trabalhistas. Ela defendeu o **fim da escala de trabalho 6×1**, argumentando que a sobrecarga e o tempo de deslocamento não remunerado configuram uma continuidade da exploração. A parlamentar ressaltou o direito ao descanso e à convivência familiar.

Em um momento emocionante, a deputada Erika Kokay (PT-DF) homenageou lideranças quilombolas assassinadas, como **Mãe Bernadete**. Maria Bernadete Paciífico, ex-coordenadora da Conac, foi vítima de um assassinato em agosto de 2023. Kokay reafirmou o apoio do Parlamento à causa quilombola, citando o lema “quando a quilombola tomba, o quilombo inteiro se levanta”, simbolizando a força e a resiliência dessas comunidades.