
Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, destaca que Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6×1, que visa reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais e abolir a escala de 6×1, representa um marco histórico para a classe trabalhadora. A proposta já conta com apoio para ser votada no Plenário nesta semana.
Em entrevista à CNN, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, classificou a aprovação da PEC 6×1 como a **maior entrega da história da Casa para os trabalhadores brasileiros**. Ele ressaltou que, embora o Parlamento já tenha aprovado diversas reformas econômicas, esta PEC terá um impacto direto e positivo na qualidade de vida dos empregados.
Lira expressou confiança na aprovação da matéria tanto na comissão especial quanto em votação no Plenário, com expectativa de que ocorra ainda nesta semana. Ele apontou que existe um **sentimento majoritário na Casa** favorável à proposta, mesmo que possam surgir divergências pontuais, o que é natural em debates legislativos.
“Aquilo que, para nós, representa a redução e a mudança na escala, garantindo dois dias de descanso para o trabalhador sem perda salarial, tem ampla convergência política”, afirmou o presidente. Ele destacou que tem conversado com líderes e parlamentares, o que reforça a alta probabilidade de aprovação da medida, considerada um reconhecimento do Congresso à importância dos trabalhadores que, segundo ele, “carregam o Brasil nas costas”. A informação foi divulgada pela Agência Câmara Notícias.
Transição e Impacto Econômico Desmistificados
Sobre o prazo de transição de 60 dias proposto para a implementação da PEC 6×1, Lira minimizou preocupações sobre possíveis efeitos negativos na economia. Ele argumentou que o discurso de consequências catastróficas é recorrente em debates sobre mudanças que afetam interesses estabelecidos, mas que a realidade costuma ser menos drástica.
O presidente não acredita que emendas da oposição consigam alterar o prazo de transição. Para ele, a mudança é justa e há muito tempo esperada pela classe trabalhadora. Lira defendeu que é preciso **coragem para enfrentar o debate**, pois o “tempo perfeito” para tais alterações raramente se apresenta.
Flexibilização para Setores Específicos
Arthur Lira explicou que a própria Constituição Federal prevê a possibilidade de regulamentação por projeto de lei para eventuais flexibilizações necessárias. Essa abordagem visa permitir que setores específicos, que possam enfrentar dificuldades de adaptação imediata, tenham **regras específicas e ajustadas**.
“Estamos colocando na própria emenda constitucional a perspectiva de fazer, por projeto de lei, um ajuste que excepcionalize aquilo que não pode ser adaptado a determinado setor. Esse cuidado de saber ouvir foi o que possibilitou, em acordo com as bancadas, que tivéssemos a flexibilidade. Não queremos prejudicar ou inviabilizar a atividade econômica de qualquer setor”, garantiu o parlamentar, demonstrando atenção às particularidades de cada área produtiva.
Produtividade e o Papel da Jornada Reduzida
O presidente da Câmara discorda da visão de que a redução da jornada de trabalho possa prejudicar a produtividade nacional. Na sua avaliação, a **produtividade é impulsionada pela redução da burocracia**, um sistema tributário eficiente e investimentos em tecnologia e industrialização.
“Fazer o discurso de que a redução da jornada é a grande vilã da baixa produtividade do país não é correto. Tenho a impressão de que vamos ganhar em produtividade”, defendeu Lira. Ele também mencionou a consideração de permitir que Microempreendedores Individuais (MEIs) possam contratar um funcionário adicional, como uma medida para compensar a redução da jornada em seus negócios.