
Saúde mental de jornalistas exige mais estudos, aponta Conselho de Comunicação
A saúde mental dos profissionais de comunicação no Brasil tem se tornado uma preocupação crescente, demandando atenção e, principalmente, mais investigações científicas. Um relatório recente apresentado ao Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional reforça a urgência em aprofundar o debate sobre as condições psicológicas enfrentadas por esses trabalhadores.
O documento destaca o aumento significativo nos afastamentos por transtornos mentais e aponta as longas jornadas de trabalho, aliadas à exposição constante a situações trágicas, como fatores de risco relevantes para o bem-estar da categoria. A dificuldade em obter dados atualizados sobre o tema agrava o cenário, tornando as pesquisas ainda mais cruciais.
Essas descobertas, apresentadas pelo conselheiro Carlos Magno, sublinham uma tendência preocupante que parece ter se intensificado após a pandemia de coronavírus. A necessidade de ações concretas, tanto individuais quanto coletivas, para mitigar esses impactos é um dos pontos centrais do debate, conforme aponta o relatório.
Aumento alarmante de afastamentos por transtornos mentais
Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) revelam um cenário alarmante: em 2024, foram registrados 472 mil afastamentos por transtornos mentais, representando um aumento expressivo de 68% em comparação com o ano anterior. A média de afastamento nesses casos chegou a 196 dias, evidenciando a gravidade das condições de saúde mental entre os trabalhadores.
O conselheiro Carlos Magno ressaltou a dificuldade em compilar informações precisas sobre a saúde mental dos jornalistas, mas os dados existentes já são suficientes para gerar alerta. A sobrecarga de trabalho e a exposição a notícias de cunho trágico e impactante são apontados como elementos que contribuem significativamente para o adoecimento psicológico desses profissionais.
Pesquisas internacionais e nacionais indicam problemas de saúde mental
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2024, com 1.140 jornalistas, revelou que 84% dos profissionais da área e 88% dos ex-jornalistas relataram problemas de saúde mental. Desses, 64% afirmaram que essas questões impactam consideravelmente o ambiente de trabalho, demonstrando a amplitude do problema.
No Brasil, o estudo “Jornalismo no Brasil em 2025”, realizado pela newsletter Farol Jornalismo em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ouviu 275 profissionais de seis redações. Os resultados apontaram para um ambiente de trabalho frequentemente tóxico, marcado pela falta de empatia, pouca transparência, comunicação violenta, desrespeito às folgas e sobrecarga de trabalho.
Propostas para o futuro e ações de combate
Carlos Magno defende a necessidade de ampliar o debate e a pesquisa sobre o tema, sugerindo que o Conselho de Comunicação Social solicite ao DataSenado a realização de uma pesquisa nacional. A proposta visa obter dados mais robustos para embasar políticas públicas e ações de suporte à categoria.
Medidas individuais como a prática de exercícios físicos, alimentação adequada e sono regular são mencionadas como importantes para a saúde mental. Contudo, o conselheiro enfatiza que ações coletivas, como o combate a jornadas exaustivas e o incentivo ao trabalho em equipe, são fundamentais para promover um ambiente de trabalho mais saudável e sustentável para os jornalistas.
Fenaj e Ministério do Trabalho lançarão pesquisa sobre saúde mental
Em linha com a necessidade de mais dados, a conselheira Samira Castro anunciou que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em colaboração com o Ministério do Trabalho, irá lançar uma pesquisa específica sobre a saúde mental da categoria. A expectativa é que os resultados orientem políticas sindicais e aumentem a conscientização da sociedade sobre a importância de melhorar as condições de trabalho dos jornalistas.
A pesquisa da Fenaj já aponta que quase metade dos jornalistas entrevistados relatou quadros de depressão e insônia, reforçando a urgência das ações propostas. A reunião do Conselho de Comunicação Social, conduzida pela vice-presidente Angela Cignachi, reafirmou o compromisso em buscar soluções para o bem-estar dos profissionais da comunicação.