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Votação de Novo Regime para Salvar Bancos é Adiada na Câmara: Entenda os Motivos e o Impacto no Sistema Financeiro

março 19, 2026

Adiamento na Câmara: Votação do Novo Regime para Socorrer Bancos é Suspensa

A votação do projeto que estabelece um novo regime para a intervenção e liquidação de bancos, conhecido como PLP 281/19, foi adiada na Câmara dos Deputados. A decisão, anunciada pelo presidente da Casa, Arthur Lira, visa conceder mais tempo para negociações e esclarecimentos sobre a proposta, que gerou debates e preocupações.

O texto, de autoria do Poder Executivo, busca regulamentar de forma mais moderna e eficiente os processos de intervenção e falência de instituições financeiras, incluindo bancos, seguradoras e entidades de previdência complementar. O objetivo é garantir a estabilidade do sistema financeiro em momentos de crise.

Apesar da necessidade reconhecida por especialistas do mercado financeiro em modernizar essas regras, o projeto enfrenta questionamentos e pedidos de alteração, o que motivou o adiamento. A intenção é evitar mal-entendidos e garantir que a proposta atenda plenamente aos interesses do sistema financeiro e da sociedade.

Presidente da Câmara busca mais tempo para “amadurecer” o texto

O presidente da Câmara, Arthur Lira, explicou que o adiamento se deve à necessidade de mais tempo para negociações e para que a matéria seja melhor compreendida. “Vamos ganhar um pouco mais de tempo para a matéria ser melhor amadurecida”, afirmou Lira, ressaltando que o objetivo é **deixar mais precisos os pontos elencados**, evitando que o projeto seja mal interpretado quanto à sua importância para o sistema financeiro.

A proposta, que tramita desde 2019, foi elaborada pelo Poder Executivo e tem como objetivo principal a criação de um **regime de resolução** para instituições financeiras. Este novo regime visa substituir os processos atuais de intervenção e liquidação, buscando maior agilidade e segurança nas operações.

Relator e Governo expressam divergências sobre pontos cruciais

O relator da proposta, deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), manifestou surpresa com pedidos de retirada de artigos considerados essenciais para o projeto. Ele citou, em especial, as partes que tratam do socorro do governo a instituições em crise, seja por meio de empréstimos ou capitalização temporária, **após o esgotamento de outras alternativas**, como o uso de fundos de resolução mantidos pelas próprias instituições.

Queiroz considerou incoerente votar um projeto que partiu do governo e agora enfrenta rejeição de parte dele. “Não seria ético da minha parte”, declarou o relator, evidenciando as divergências que levaram ao adiamento da votação. A mudança de posição do governo em relação à aprovação do texto gerou apreensão.

Críticas sobre uso de dinheiro público e competências do Congresso

O vice-líder do governo, deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), também criticou a proposta, que, segundo ele, foi “rearranjada pelo Banco Central” em um momento delicado, com três instituições financeiras enfrentando processos falimentares. “Estão querendo arrumar uma forma de colocar dinheiro público dentro de banco falido”, acusou Benevides Filho.

Ele também apontou que o projeto retira do Congresso a competência sobre operações de crédito com recursos do Tesouro, transferindo essa responsabilidade para o **Conselho Monetário Nacional (CMN)**. Essa transferência de poder é um dos pontos de maior controvérsia e que demandam maior debate.

O que é o regime de resolução?

Segundo o texto original do PLP 281/19, o atual processo de intervenção passará a ser denominado **regime de resolução**. As autoridades de resolução, como o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep), terão poderes para atuar na preservação do sistema financeiro em caso de necessidade, dependendo do setor regulado.

A intenção é que essas entidades possam intervir de forma mais ágil e eficaz, minimizando os impactos de uma eventual crise em uma instituição financeira. O novo regime busca oferecer mais segurança aos depositantes e investidores, além de manter a **estabilidade do sistema financeiro** como um todo.

O adiamento da votação permite que os parlamentares e o governo aprofundem a discussão sobre os detalhes do regime de resolução, buscando um consenso que garanta a eficácia da medida sem comprometer a transparência e o controle democrático sobre o uso de recursos públicos e as decisões que afetam o sistema financeiro nacional.