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Empresas Condenadas por Trabalho Escravo: Fim dos Benefícios Públicos em Nova Lei Aprovada na Câmara

janeiro 28, 2026

Comissão da Câmara aprova projeto que proíbe benefícios a empresas condenadas por trabalho escravo

Um importante passo foi dado na luta contra a exploração de trabalhadores no Brasil. A Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou, em outubro, um projeto de lei que visa cortar o acesso de empresas condenadas por trabalho escravo a recursos públicos. A proposta, que segue agora para outras comissões, representa um endurecimento significativo nas penalidades para quem submete pessoas a condições desumanas.

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Duda Ramos (MDB-RR), ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 128/19, de autoria do deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM). O objetivo central é garantir que empresas e pessoas jurídicas que sejam comprovadamente responsáveis por exploração de trabalho análogo à escravidão sejam impedidas de receber financiamento público, incentivos fiscais e de firmar contratos com o governo.

O relator Duda Ramos destacou que as alterações foram feitas para conferir maior segurança jurídica ao projeto e prevenir questionamentos na justiça. Ele ressaltou a importância das medidas como um “filtro objetivo e legítimo” contra infratores. O autor da proposta original, Capitão Alberto Neto, reforçou o sentimento geral, afirmando que “é abominável qualquer tipo de benesse, financiamento ou relação contratual entre o poder público com aqueles que submetem trabalhadores a condições análogas à de escravo”. Conforme informação divulgada pela Câmara dos Deputados, o projeto agora será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de seguir para o Plenário.

Alterações e rigor para combater o trabalho escravo

O projeto original previa alterações na Lei de Responsabilidade Fiscal e na antiga Lei de Licitações. O substitutivo, no entanto, focou em modificar a Nova Lei de Licitações. A principal mudança introduzida pelo relator foi a exigência de trânsito em julgado para condenações criminais ou decisão administrativa definitiva para inclusão na chamada “lista suja” do trabalho escravo. Isso significa que a proibição só se aplicará após esgotados todos os recursos judiciais ou administrativos.

Essa exigência visa garantir que as sanções sejam aplicadas com base em decisões consolidadas, evitando punições baseadas em processos ainda em andamento e passíveis de reversão. A proibição do acesso a recursos públicos, segundo o texto, vigorará até o cumprimento integral da pena ou a exclusão do empregador da “lista suja” do trabalho escravo.

Dupla barreira contra empresas exploradoras

O deputado Duda Ramos explicou que a combinação da condenação judicial com trânsito em julgado e a inclusão na “lista suja” cria uma “dupla barreira” contra empresas que exploram mão de obra em condições análogas à escravidão. Enquanto a condenação judicial garante um bloqueio mais definitivo, a “lista suja” funciona como um mecanismo de bloqueio preventivo e imediato, agindo rapidamente contra os infratores.

Essa abordagem busca fortalecer o combate ao trabalho escravo, garantindo que empresas que se beneficiam desse tipo de exploração não recebam apoio do poder público. A proposta, ao endurecer as sanções, visa desestimular práticas criminosas e proteger os direitos dos trabalhadores, um avanço significativo na legislação brasileira.

Próximos passos para a aprovação da lei

Após a aprovação na Comissão de Administração e Serviço Público, o projeto de lei ainda precisará passar por outras instâncias dentro da Câmara dos Deputados. As próximas etapas incluem a análise pelas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Somente após a aprovação em todas essas comissões é que o texto será encaminhado para votação em Plenário.

Caso seja aprovado pela Câmara, o projeto de lei ainda precisará ser submetido e aprovado pelo Senado Federal para que possa se tornar lei. O processo legislativo é complexo, mas a aprovação inicial demonstra um consenso importante sobre a necessidade de coibir o trabalho escravo no país.