
CPMI do INSS avança em investigações com votação de quebra de sigilos e convocação de testemunhas-chave.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS agendou para esta quinta-feira (26) uma reunião crucial para a votação de 87 requerimentos. Entre os pedidos mais aguardados estão a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula, e de outras figuras importantes nas investigações sobre fraudes previdenciárias.
A pauta da reunião, que tem início previsto para as 9 horas, também inclui oitiva de empresários e políticos cujos nomes surgiram em apurações da Polícia Federal e em documentos relacionados a esquemas de desvio de recursos públicos. A expectativa é que os próximos passos da comissão definam novos rumos para a investigação.
Conforme informações divulgadas, a CPMI busca esclarecer a origem e o destino de vultuosas quantias, além de identificar conexões entre as movimentações financeiras e as irregularidades na concessão de benefícios. A lista de requerimentos abrange desde pedidos de quebra de sigilo até novas convocações para depoimentos, sinalizando um aprofundamento nas apurações. Fonte: Agência Senado.
Empresário Paulo Camisotti e outros investigados na mira da CPMI
Um dos requerimentos a serem votados solicita a convocação do empresário Paulo Camisotti, sócio de Maurício Camisotti, que se encontra preso sob acusação de envolvimento nas fraudes do INSS. Paulo Camisotti é investigado por suposta participação em um esquema de descontos não autorizados em benefícios. O pedido de convocação foi apresentado por um grupo de parlamentares do partido Novo, incluindo o senador Eduardo Girão e os deputados Marcel van Hattem, Adriana Ventura e Luiz Lima.
Deputado Edson Araújo e o advogado Cecílio Galvão também serão ouvidos
O deputado estadual Edson Araújo, citado em apurações da Polícia Federal por movimentar recursos de entidades ligadas a trabalhadores da pesca e aquicultura no Maranhão, também está na lista de depoentes. Os requerimentos para sua oitiva foram apresentados pelos senadores Izalci Lucas e pelos deputados Rogério Correia, Alencar Santana e Paulo Pimenta.
Outro nome que constará na pauta é o do advogado Cecílio Galvão. Segundo relatos, ele teria recebido cerca de R$ 4 milhões de entidades sob investigação por fraude. Galvão é sócio de uma prestadora de serviços para institutos de previdência em diversos estados. O requerimento para ouvi-lo foi apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar.
Quebra de sigilo de Lulinha motivada por mensagens e repasses financeiros
O pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fabio Luis Lula da Silva, Lulinha, de relatoria do deputado Alfredo Gaspar, baseia-se em mensagens interceptadas. Segundo o relator, as comunicações indicam que, ao ser questionado sobre um pagamento de R$ 300 mil à empresa de Roberta Luchsinger, uma figura central no esquema do “Careca do INSS”, um interlocutor teria respondido que o destinatário era “o filho do rapaz”, possivelmente Lulinha.
Documentos também apontam repasses de R$ 1,5 milhão da Brasília Consultoria para a RL Consultoria, empresa de Roberta Luchsinger, sob a alegação de serviços de consultoria. O relator considera essas transações suspeitas, pois parecem carecer de lastro econômico real, configurando possíveis movimentações financeiras ilícitas.
Outros pedidos de quebra de sigilo e convocações completam a pauta
A lista de requerimentos inclui ainda o pedido de quebra de sigilo das operações da empresária Danielle Miranda Fontelles, apontada como responsável por operar estruturas financeiras no exterior para fraudadores. Há também um pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Gustavo Marques Gaspar, sócio-administrador de uma empresa que concedeu procuração a um diretor ligado ao “Careca do INSS”.
A comissão também votará a quebra de sigilo do Banco Master, da empresa Pay Brokers EFX Facilitadora de Pagamentos S.A. e da Foliumed Brasil Importação, Exportação e Comércio de Medicamentos LTDA, suspeitas de irregularidades em descontos consignados. Por fim, a diretora de TI do INSS, Léa Bressy Amorim, será convocada para depor, por ser considerada peça fundamental na governança e segurança dos sistemas da autarquia.