
CPMI do INSS avança na investigação de fraudes com foco em Banco Master e possíveis desvios de recursos.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem em sua pauta para esta quinta-feira (5) a votação de importantes requerimentos. Entre eles, destacam-se pedidos de **quebra de sigilo bancário e fiscal** relacionados ao Banco Master, uma medida crucial para aprofundar a investigação sobre possíveis irregularidades na concessão de crédito consignado a aposentados e pensionistas.
A investigação mira em mais de 250 mil contratos de empréstimos consignados vinculados ao banco, que apresentam indícios de fraude. Há suspeitas de contratações realizadas sem a autorização dos beneficiários, o que configura um grave esquema de desvio de recursos públicos e prejuízo a segurados do INSS.
As informações foram divulgadas pela Agência Senado. A CPMI busca, com essas ações, desvendar a complexa rede de fraudes e identificar todos os envolvidos no esquema que lesou milhares de brasileiros. A expectativa é que as quebras de sigilo forneçam provas concretas para a continuidade das apurações.
Banco Master sob os holofotes da CPMI do INSS
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) e deputados da bancada do Novo apresentaram os pedidos de quebra de sigilo. Eles solicitam acesso a informações detalhadas sobre contas, investimentos, bens, direitos e valores mantidos pelo Banco Master em instituições financeiras. O objetivo é mapear as movimentações financeiras da instituição e identificar possíveis conexões com as fraudes.
Integrantes da CPMI apontam que o volume de contratos suspeitos ligados ao Banco Master é alarmante, reforçando a necessidade de uma investigação minuciosa. A atuação do banco no mercado de crédito consignado tem sido um dos focos centrais das apurações.
Análise de dados de voos e conexões empresariais
A deputada Coronel Fernanda (PL-MT) também apresentou um requerimento que deve ser analisado pela comissão. Ela solicita à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informações sobre o histórico de voos e passageiros de aeronaves registradas em nome da empresa Viking Participações Ltda. Esta empresa está ligada ao empresário Daniel Vorcaro.
A justificativa para este pedido é apurar possíveis conexões entre a atuação do Banco Master no mercado de consignados e eventuais desvios de recursos. A análise dos dados de voos pode revelar movimentações financeiras e encontros estratégicos que auxiliem na elucidação dos fatos.
Pedidos de prisão e medidas cautelares contra investigados
A pauta da CPMI também inclui propostas para a prisão preventiva do ex-ministro do Trabalho e Previdência, José Carlos Oliveira, que está sendo investigado na Operação Sem Desconto. O deputado Rogério Correia (PT-MG) argumenta que há risco de interferência nas investigações e possibilidade de fuga do ex-ministro.
Outros pedidos em análise visam medidas cautelares e prisão preventiva de investigados apontados como responsáveis por associações que teriam realizado descontos indevidos em benefícios previdenciários. Esses descontos teriam causado um prejuízo estimado em cerca de R$ 714 milhões aos cofres públicos e aos segurados.
Há ainda propostas para a retenção de passaportes e proibição de saída do país de suspeitos. O grupo, apelidado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) como “golden boys”, inclui nomes como Felipe Macedo Gomes, Américo Monte Júnior, Igor Dias Delecrode, Anderson Cordeiro de Vasconcelos e Marco Aurélio Gomes Júnior, todos sob investigação.
Adiamento de depoimento e oitiva do presidente do INSS
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou o **adiamento do depoimento de Daniel Vorcaro** para o dia 26 de fevereiro. Inicialmente, o depoimento estava previsto para esta quinta-feira (5). A decisão ocorreu após uma reunião com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, relator de processos que envolvem o Banco Master.
Com a mudança na agenda, a CPMI ouvirá nesta quinta-feira apenas o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Ele prestará esclarecimentos sobre os contratos de crédito consignado sob investigação e as medidas que o instituto tem adotado diante das suspeitas de fraude. A reunião está marcada para as 9 horas, no plenário 2 da ala Nilo Coelho, no Senado Federal.