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Brasil sediará Conferência Global sobre Espécies Migratórias em Campo Grande: O que você precisa saber sobre a COP15

fevereiro 26, 2026

Brasil se prepara para sediar importante conferência sobre conservação de espécies migratórias

A Câmara dos Deputados deu um passo significativo ao aprovar o acordo para que o Brasil receba a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15). O evento, que acontecerá em Campo Grande (MS) entre 23 e 29 de março de 2026, é uma oportunidade ímpar para o país se posicionar na vanguarda das discussões sobre a proteção de animais que percorrem longas distâncias.

A decisão, oficializada pela aprovação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 50/26, agora segue para o Senado Federal. A escolha do Brasil como sede reforça o papel do país como um polo de diálogo técnico, científico e político para a conservação de espécies migratórias, conforme destacou o relator da proposta, deputado Nilto Tatto (PT-SP).

A realização da COP15 no coração do Pantanal não é apenas simbólica, mas estratégica. A iniciativa busca evidenciar a intrínseca relação entre a conservação ambiental, o desenvolvimento regional e a cooperação internacional, além de atrair atenção global para os desafios e potencialidades deste bioma riquíssimo. Conforme informação divulgada pela Agência Câmara Notícias, a organização do encontro é patrocinada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e tem como objetivo principal promover a cooperação internacional para a proteção de habitats críticos e o manejo sustentável dessas espécies.

Um palco internacional para a conservação no Pantanal

A escolha de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, como sede da conferência, é vista como uma forma de dar visibilidade internacional ao Pantanal. O deputado Nilto Tatto ressaltou que as espécies migratórias, por sua natureza, dependem de múltiplos ecossistemas e da colaboração entre nações para a preservação de seus ciclos de vida. A COP15 se configura, portanto, como um dos instrumentos mais importantes da governança ambiental global.

A Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), patrocinada pela ONU, abrange espécies terrestres, aquáticas e aéreas. Seu foco está na promoção da cooperação internacional, na proteção de habitats essenciais, no fomento à pesquisa científica, na conscientização pública e na integração entre conservação e desenvolvimento sustentável. O acordo para sediar o evento foi formalmente assinado em 21 de dezembro de 2025.

Custos e investimentos na realização do evento

A organização da COP15 no Brasil demandará um investimento considerável por parte do governo federal, estimado em cerca de R$ 86 milhões, segundo informações dos ministérios das Relações Exteriores e do Meio Ambiente. No entanto, outros parceiros como o governo do Mato Grosso do Sul, a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) também deverão contribuir financeiramente.

O governo brasileiro arcará com os custos operacionais essenciais, que incluem a infraestrutura do local, serviços de alimentação e transporte, instalações médicas de emergência, segurança, tradução simultânea, sala de imprensa e equipes de apoio. Além disso, o país se compromete a auxiliar na oferta de informações sobre acomodações acessíveis para os participantes.

Em contrapartida pela realização do evento no Brasil, e não em Bonn, na Alemanha, onde fica a sede da secretaria-executiva da convenção, o país também cobrirá custos estimados em 581 mil dólares (aproximadamente R$ 3 milhões) referentes a viagens e benefícios da equipe do secretariado da CMS, missões de planejamento e custos de deslocamento de representantes de países em desenvolvimento.

Debate sobre o uso de recursos públicos

A destinação de recursos públicos para a realização da conferência gerou debate na Câmara. O deputado Gilson Marques (Novo-SC) expressou preocupação com o investimento, questionando a prioridade diante de outros gastos públicos. A realização da COP15 no Brasil representa um compromisso com a agenda ambiental global e um esforço para fortalecer a cooperação internacional em prol da conservação da biodiversidade.