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Bens de Alto Valor do Garimpo Ilegal Podem Ser Reaproveitados Pelo Governo, Propõe Deputado

fevereiro 24, 2026

Deputado Defende Aproveitamento de Bens de Alto Valor Apreendidos do Garimpo Ilegal

Uma nova proposta legislativa avança na Câmara dos Deputados com o objetivo de dar um destino mais produtivo a bens de alto valor apreendidos em operações contra o garimpo ilegal. O projeto de lei (PL 3758/25), já aprovado pela Comissão de Minas e Energia, busca impedir a destruição imediata de equipamentos como aeronaves, embarcações e tratores, permitindo seu aproveitamento pelo poder público.

A iniciativa, proposta pelo deputado Defensor Stélio Dener (Republicanos-RR), visa evitar o desperdício de recursos que, em muitos casos, ultrapassam milhares de reais. A ideia é que esses bens possam servir a diversas áreas do governo ou a instituições, fortalecendo a entrega de políticas públicas e o acesso à cidadania em regiões remotas e necessitadas.

“Uma aeronave, depois de apreendida em garimpo ilegal, pode servir ao poder público, pode servir a instituições, para que a gente possa levar outras políticas públicas e cidadania às pessoas”, explicou o deputado em entrevista à Rádio Câmara. Ele ressalta que a destruição por si só não é a solução mais razoável quando há tantos órgãos que poderiam se beneficiar desses equipamentos.

Novas Regras Para Bens Apreendidos em Garimpos Ilegais

Atualmente, a destruição de bens apreendidos em garimpos ilegais é uma prática comum em muitas operações. O deputado Stélio Dener reconhece que a logística para remover maquinário pesado de áreas remotas pode ser desafiadora, mas destaca que nem toda apreensão ocorre em locais de atividade ilegal comprovada, o que reforça a necessidade de critérios mais claros.

O texto aprovado na comissão estabelece três destinos possíveis para os bens de alto valor apreendidos do garimpo ilegal. O primeiro é o **leilão público**, cujos recursos seriam direcionados para fundos de fiscalização ambiental e recuperação de áreas degradadas. Essa medida visa não apenas recuperar custos, mas também investir na proteção do meio ambiente afetado pela atividade ilícita.

Outra destinação prevista é a **incorporação dos bens ao patrimônio público**. Isso significa que aeronaves, embarcações ou outros equipamentos poderiam ser utilizados diretamente por órgãos governamentais, como a Polícia Federal, Ibama ou Forças Armadas, para otimizar suas operações de fiscalização, combate ao crime e atendimento a comunidades isoladas.

A terceira opção é a **doação para instituições de ensino técnico ou superior**. Esses bens poderiam ser utilizados para fins de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e capacitação profissional, formando novos especialistas e contribuindo para a inovação no setor de mineração e em áreas correlatas, sempre com foco na legalidade e sustentabilidade.

Destruição Apenas em Casos Específicos

A proposta aprovada na Comissão de Minas e Energia também define as condições sob as quais a destruição dos bens apreendidos ainda seria permitida. Essa medida extrema só seria autorizada em situações de **risco iminente à segurança** dos agentes públicos ou da população local. Além disso, a destruição seria viável caso um laudo técnico comprove que a remoção do bem é **tecnicamente impossível** ou que sua retirada geraria um **risco ambiental grave**, como o vazamento de combustíveis ou a contaminação do solo.

O projeto agora segue para análise nas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, a proposta precisará ser aprovada pela Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado Federal. A expectativa é que a nova legislação traga mais eficiência e racionalidade ao combate ao garimpo ilegal, transformando bens apreendidos em ferramentas para o desenvolvimento social e a proteção ambiental.