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Saída Temporária para Presos por Violência Doméstica: Nova Regra Exige Avaliação de Risco e Oitiva da Vítima

setembro 10, 2026

Comissão de Segurança Pública da Câmara aprova PL que impõe novas regras para saídas temporárias de condenados por violência doméstica

Um projeto de lei que estabelece critérios mais rigorosos para a concessão de saída temporária a presos por violência doméstica e familiar foi aprovado pela Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados. A proposta visa aumentar a proteção das vítimas, exigindo uma avaliação prévia de risco e a oitiva da parte ofendida antes de qualquer decisão judicial.

O texto, de autoria do deputado Miguel Lombardi (PL-SP), detalha que o Ministério Público deverá se manifestar sobre o pedido de saída temporária, considerando uma série de fatores de risco. A intenção é evitar que o benefício coloque em perigo a integridade física, psicológica, sexual, patrimonial e moral da vítima e de seus dependentes.

A nova regra, se aprovada, poderá impactar significativamente a forma como as saídas temporárias são concedidas a condenados por crimes de violência doméstica. A segurança das vítimas é o ponto central da legislação, que busca equilibrar a ressocialização com a prevenção de novas agressões. Conforme informação divulgada pela Câmara dos Deputados, o projeto segue agora para análise em outras comissões antes de ir a plenário.

Avaliação de Risco Detalhada e Oitiva da Vítima São Mandatórias

O projeto de lei aprovado determina que a Justiça avalie a existência de risco à vítima e seus dependentes. Considera-se risco, por exemplo, o descumprimento anterior de medidas protetivas por parte do condenado, histórico de violência ou perseguição, ou tentativas de contato com a vítima durante o cumprimento da pena. Essa análise detalhada busca antecipar possíveis ameaças e garantir a segurança.

Saída Temporária Excepcional para Fins Educacionais com Monitoramento

Uma vez afastada a condição de risco, a saída temporária poderá ser concedida de forma excepcional, especificamente para que o preso participe de cursos de ensino formal. Nesse cenário, o beneficiário deverá obrigatoriamente aceitar o uso de tornozeleira eletrônica. Ele também terá que permanecer em casa nos períodos em que não estiver em atividades educacionais e manter distância da vítima e de seus familiares.

O descumprimento de qualquer uma dessas exigências resultará na perda imediata do benefício da saída temporária. A proposta busca, portanto, não apenas regulamentar as exceções, mas também impor mecanismos de controle e fiscalização mais eficientes.

Relatora Defende Regulamentação e Rejeita Proibição Total

A relatora da matéria, deputada Delegada Ione (PL-MG), acolheu o parecer pela aprovação do PL 36/26 e rejeitou o PL 34/26, que propunha a proibição total das saídas temporárias. Segundo a relatora, o projeto aprovado é mais adequado por estabelecer regras claras para as exceções, dificultando a saída temporária, mas regulamentando as situações permitidas em conformidade com o entendimento dos tribunais.

O deputado Miguel Lombardi, autor das propostas, ressaltou a importância de adequar o cumprimento da pena a cada caso específico, evitando a exposição de vítimas a riscos evitáveis. A nova legislação busca um equilíbrio entre a punição e a ressocialização, com foco primordial na proteção dos vulneráveis.

Próximos Passos da Proposta na Câmara dos Deputados

O projeto de lei agora seguirá para análise, em caráter conclusivo, pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que se torne lei, o texto precisa ser aprovado tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal, avançando assim no processo legislativo.