Escolas Privadas Não Poderão Cobrar Taxa Extra de Alunos com Dislexia ou TDAH, Decide Comissão da Câmara

Comissão da Câmara aprova proibição de taxa extra para alunos com dislexia ou TDAH em escolas privadas

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados deu um passo importante para garantir a inclusão e o acesso à educação de qualidade para todos os estudantes. Foi aprovado o Projeto de Lei 116/26, que veda a cobrança de taxas extras por escolas privadas a alunos diagnosticados com dislexia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e outros transtornos de aprendizagem.

A iniciativa busca impedir que as instituições de ensino repassem aos pais os custos referentes ao acompanhamento especializado, um direito que já é assegurado por lei. A proposta visa coibir práticas que possam criar barreiras financeiras e dificultar a permanência desses alunos no ambiente escolar.

O texto aprovado é um substitutivo da deputada Franciane Bayer (Republicanos-RS) ao projeto original do deputado Pedro Uczai (PT-SC). A relatora realizou ajustes de ordem técnica que mantiveram a essência da proposta, reforçando a proteção aos estudantes com transtornos de aprendizagem. Conforme informação divulgada pela Câmara dos Deputados, o objetivo é evitar que a ausência de uma regra específica na legislação deixe margens para interpretações que prejudiquem a igualdade de condições no acesso à educação.

Lacuna Jurídica e a Necessidade de Proteção Específica

A Lei Brasileira de Inclusão já proíbe escolas particulares de cobrarem valores adicionais pelo atendimento inclusivo de alunos com deficiência. No entanto, a deputada Franciane Bayer destacou que a Lei 14.254/21, que trata especificamente de transtornos de aprendizagem, não possuía uma proibição explícita similar, criando uma lacuna jurídica. Essa brecha poderia, segundo ela, levar a tratamentos desiguais e dificultar o exercício do direito à educação em condições de igualdade.

Próximos Passos para a Aprovação da Lei

O Projeto de Lei 116/26 agora seguirá para análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Por tramitar em caráter conclusivo, após a aprovação na CCJC, o texto será enviado para votação no Senado Federal. Caso seja aprovado em ambas as casas legislativas, a matéria se tornará lei, fortalecendo os direitos dos estudantes com dislexia, TDAH e outros transtornos de aprendizagem.

Impacto Positivo na Inclusão Educacional

A aprovação desta medida é vista como um avanço significativo para a inclusão educacional no Brasil. Ao proibir cobranças extras, o projeto assegura que o foco permaneça no desenvolvimento pedagógico e no bem-estar do aluno, sem que o fator financeiro se torne um impeditivo. A expectativa é que a nova lei promova um ambiente escolar mais equitativo e acessível para todos os estudantes, independentemente de suas necessidades de aprendizado específicas.

O Que Dizem os Especialistas

Especialistas em educação inclusiva celebram a decisão, ressaltando que o acompanhamento especializado para alunos com dislexia e TDAH deve ser parte integrante do serviço educacional oferecido pelas escolas, e não um custo adicional. A medida reforça o compromisso com a garantia do direito à educação para todos, conforme preconiza a Constituição Federal e outras legislações de inclusão.